Redução de tarifas dos EUA anima Brasil, mas sobretaxa persiste -

Redução de tarifas dos EUA anima Brasil, mas sobretaxa persiste

Redução de tarifas dos EUA acendeu o sinal de alívio entre exportadores brasileiros nesta sexta-feira (14), após o presidente norte-americano Donald Trump eliminar a tarifa-base de 10% sobre café, carne, frutas e demais produtos agrícolas. No entanto, a sobretaxa adicional de 40% permanece e o governo do Brasil já avisou que continuará pressionando Washington pela revogação total do encargo.

Segundo o Palácio do Planalto, a flexibilização atende parcialmente às reivindicações de empresas que viram as vendas despencarem desde a adoção do chamado “tarifaço” em 2024. O Ministério da Agricultura classificou a medida como “passo inicial”, mas ressaltou que o impacto ainda é limitado enquanto o gravame maior não for suspenso.

Redução de tarifas dos EUA anima Brasil, mas sobretaxa persiste

A Casa Branca atribuiu o recuo de 10 pontos percentuais à inflação interna de alimentos, que ganhou força após a queda na oferta de produtos importados. Trump disse, em documento oficial, ter levado em conta “a demanda doméstica atual e a capacidade nacional de produção” antes de assinar a ordem que derruba parte do imposto.

Impacto nas exportações de café e carne

O Brasil continua como maior fornecedor de café para o mercado estadunidense, mas registrou retração de 50% nas remessas entre agosto e outubro de 2025, frente a igual período de 2024. No varejo norte-americano, o preço da bebida avançou 19% em setembro, reflexo direto da tarifa. Já a carne bovina acumulou alta próxima de 17%.

Márcio Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café, comemorou a queda da taxa de reciprocidade, mas alertou que “as vendas seguem inviáveis” com a cobrança extra de 40%. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, representada por Roberto Perosa, enxergou “alívio parcial” e espera recuperar parte dos 75% de participação de mercado perdidos nos Estados Unidos.

Estratégia diplomática brasileira

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a retirada da tarifa-base “marca a retomada da boa diplomacia” entre os dois países. Ele acrescentou que a equipe econômica brasileira continuará negociando para incluir setores que ficaram fora da lista de isenções e para derrubar a sobretaxa.

De acordo com técnicos do Itamaraty, Brasília deverá intensificar conversas em fóruns bilaterais e na Organização Mundial do Comércio (OMC) nas próximas semanas. A ideia é apresentar dados que mostrem prejuízos ao consumidor norte-americano e à competitividade do agro brasileiro.

Pressão interna nos EUA

A decisão de Trump chega em meio ao aumento de críticas de parlamentares e de associações de varejo que culpam o tarifaço pela escalada de preços. Relatórios do Departamento de Agricultura dos EUA indicam que a produção doméstica não consegue suprir a lacuna deixada pelas importações brasileiras, principalmente em café.

Analistas em Washington dizem que a manutenção da sobretaxa de 40% cumpre função política, ao demonstrar rigidez em temas comerciais durante o processo eleitoral de 2026. Mesmo assim, há pressão para que a Casa Branca reveja totalmente a medida, caso os preços ao consumidor continuem subindo.

Próximos passos

Enquanto a isenção parcial passa a valer imediatamente, empresas brasileiras avaliam estratégias logísticas para retomar embarques reduzindo prejuízos. Entidades setoriais também estudam ingressar com novos pleitos comerciais, argumentando que a transferência do encargo ao consumidor final norte-americano prejudica a demanda e afeta a imagem dos produtos do Brasil.

O governo federal, por sua vez, reiterou que “não medirá esforços” para restaurar as condições vigentes antes de 2024. A expectativa é que as tratativas avancem até o início de 2026, quando ambos os países pretendem revisar acordos agrícolas.

Para acompanhar outras movimentações no cenário econômico, acesse nossa seção de Economia.

Em resumo, a retirada da tarifa-base de 10% pelos Estados Unidos ameniza custos para os exportadores, mas a sobretaxa de 40% ainda bloqueia a retomada plena das vendas. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como as negociações podem redefinir o comércio bilateral.

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