Rendimentos dos títulos da China ficam abaixo dos do Japão -

Rendimentos dos títulos da China ficam abaixo dos do Japão

Rendimentos dos títulos de longo prazo da China recuaram para patamares inferiores aos dos papéis japoneses, marcando um feito inédito nos registros iniciados em setembro de 2000.

Segundo dados do London Stock Exchange Group, na sexta-feira passada o retorno dos títulos do governo japonês de 10 anos superou 1,84%, ultrapassando o rendimento de 1,83% oferecido pelos títulos chineses de mesmo prazo. A inversão também se repetiu nos papéis de 20 e 30 anos, confirmando a mudança de posição entre as duas maiores economias da Ásia.

Rendimentos dos títulos da China ficam abaixo dos do Japão

Analistas veem o movimento como reflexo de cenários macroeconômicos divergentes. No Japão, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mantém avanço próximo de 3%, nível superior ao observado na zona do euro. Já a China convive com pressões deflacionárias: o IPC ficou perto de zero em boa parte de 2024, tendo registrado queda em seis dos dez primeiros meses do ano.

Deflação e política acomodatícia pressionam rendimento chinês

Em maio, o Banco do Povo da China (PBoC) reduziu a taxa de recompra reversa de sete dias de 1,5% para 1,4%, reforçando a perspectiva de uma política monetária mais frouxa até 2026. A Capital Economics projeta novo corte de 0,3 ponto percentual nesse período. Com isso, os rendimentos dos títulos chineses de 10 anos oscilaram entre 1,5% e 1,9% ao longo de 2024.

A trajetória contrasta com o passado recente. Em 2007, quando o Produto Interno Bruto (PIB) real da China avançou 14% na preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim, o yield desses papéis ultrapassou 5%. Desde então, as metas de expansão foram gradualmente reduzidas: após anos entre 7,5% e 7%, o objetivo atual gira em torno de 5%. O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento de 4,8% em 2025 e de 4,2% em 2026.

Recuperação lenta após choque imobiliário

A economia chinesa ainda sente os efeitos do estouro da bolha imobiliária e das restrições impostas pela política de “tolerância zero” contra a covid-19. Em julho, o volume de novos empréstimos bancários ficou abaixo das amortizações pela primeira vez em duas décadas, fenômeno que lembra a “recessão de balanço patrimonial” vivida pelo Japão nos anos 1990.

No setor industrial, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) caiu 2,1% em outubro, marcando a 37ª retração consecutiva. Empresas ampliam a competição por preços, enquanto consumidores adiam compras na expectativa de promoções, alimentando o risco de espiral deflacionária.

Pontos de atenção para investidores

No Japão, a condução da política fiscal pela primeira-ministra Sanae Takaichi e as decisões de estímulo do Banco do Japão serão determinantes para a trajetória dos rendimentos futuros. Na China, o foco recai sobre a capacidade de Pequim em impulsionar a demanda interna e conter a deflação. O Partido Comunista elaborou uma minuta para o 15º plano quinquenal, que inicia em 2026, com ênfase na expansão do consumo, mas sem detalhar medidas estruturais.

Enquanto isso, a diferença de rendimento pode influenciar fluxos de capital na região. Papéis japoneses podem ganhar atratividade relativa, enquanto investidores monitoram os riscos deflacionários chineses e seus possíveis impactos sobre cadeias globais de exportação.

A evolução dos yields seguirá condicionada às expectativas de inflação, desempenho econômico e saúde fiscal de cada país. Qualquer sinal de reversão nesses fundamentos poderá alterar novamente a hierarquia dos retornos asiáticos.

Para quem acompanha de perto o mercado de renda fixa, manter o olhar atento às próximas decisões de política monetária em Tóquio e Pequim será essencial para antecipar movimentos de curva e ajustar estratégias de investimento.

Quer aprofundar seu entendimento sobre os fatores que afetam a economia global? Confira outros conteúdos na seção Economia do Diário de Finanças e fique por dentro das últimas análises.

Em resumo, a inédita inversão dos rendimentos destaca a disparidade entre inflação e crescimento em China e Japão. Acompanhe nossas atualizações e não perca os próximos desdobramentos.

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