Tarifas de Trump enfrentam crescente descrédito no mercado financeiro, que agora passa a precificar a possibilidade de a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais os tributos comerciais adotados pelo ex-presidente.
Dados do site de apostas Polymarket, amplamente acompanhado por gestores e analistas, indicam apenas 21% de chance de o tribunal validar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa) para sustentar as tarifas. A mudança de percepção ganhou força depois da audiência oral realizada na última semana, quando a maioria dos juízes, inclusive alguns de perfil conservador, questionou abertamente a base legal da medida.
Mercado já precifica revés das tarifas de Trump na Corte
Cálculos do J.P. Morgan mostram que mais de 80% das tarifas propostas para um eventual segundo mandato de Trump se ancoram na Ieepa e renderam US$ 195 bilhões apenas no atual ano fiscal. A possível suspensão desse mecanismo abre espaço para um rali nos principais índices acionários, ao mesmo tempo em que pode alterar a forma da curva de rendimentos dos Treasuries, com inclinação maior nos vértices longos.
O raciocínio predominante entre operadores aponta que a derrubada das tarifas tende a reduzir pressões inflacionárias de curto prazo, mas também agrava o quadro fiscal ao retirar uma fonte relevante de arrecadação federal. Esse balanço de riscos foi capturado em tempo real durante a audiência na Corte: ações sensíveis ao comércio subiram, enquanto rendimentos de títulos curtos recuaram.
Apesar do otimismo inicial, casas de investimento mantêm tom cauteloso. O próprio J.P. Morgan avalia que, caso a Suprema Corte impeça o uso da Ieepa, a Casa Branca pode recorrer a instrumentos alternativos, com tarifas mais específicas e implementação gradual. Sob essa ótica, qualquer rali sustentado ficaria limitado, pois o mercado reage ao nível efetivo de taxação, não ao arcabouço jurídico que a sustenta.
Estratégias semelhantes são defendidas por analistas do Goldman Sachs. Para o banco, mesmo com um revés jurídico, o governo poderia recorrer a outras bases legais e preservar boa parte da estrutura tarifária. Ainda assim, os especialistas reconhecem que os preços de mercado já refletem uma redução parcial desses riscos.
Imagem: Aar Schwartz
No curto prazo, a narrativa de menor inflação versus piora fiscal deve continuar ditando o humor das bolsas e dos Treasuries. Investidores seguem de olho no calendário da Suprema Corte, que deve publicar sua decisão até o fim do atual período de sessões, em junho. Até lá, ganhos ou perdas adicionais dependerão da leitura de cada novo sinal vindo de Washington.
Em síntese, a incerteza sobre o futuro das tarifas de Trump mantém o mercado em compasso de espera, mas a precificação atual indica clara aposta na limitação do instrumento via Ieepa. A confirmação ou não desse cenário definirá o próximo movimento de ações, dólar e juros norte-americanos.
Para acompanhar outros desdobramentos do cenário econômico internacional, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
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