Risco fiscal nos EUA pode estar sendo subestimado pelos investidores, avalia André Duarte, professor de economia da PUC-Rio e ex-gestor da Occam. Segundo o acadêmico, mesmo com a recente busca por proteção que derrubou o dólar e impulsionou o ouro a máximas históricas, ativos de risco norte-americanos continuam próximos de novos recordes, refletindo um aparente “equilíbrio” momentâneo do mercado.
Para Duarte, a combinação de dólar mais fraco e metal precioso em alta demonstra maior cautela global, mas não necessariamente captura a totalidade dos desafios fiscais enfrentados pelos Estados Unidos. Ele ressalta que déficits persistentes e endividamento crescente podem exigir ajustes futuros que ainda não foram totalmente precificados.
Risco fiscal nos EUA pode estar subestimado, alerta professor
O economista lembra que, nos últimos meses, o fluxo para ativos considerados seguros intensificou-se, pressionando a moeda americana para baixo. Ao mesmo tempo, índices acionários de Wall Street flertam com novas máximas, sugerindo confiança na capacidade do país de sustentar sua trajetória de crescimento sem um ajuste fiscal abrupto.
“O mercado parece confortável, mas há um ponto em que a conta fiscal precisa fechar”, afirmou Duarte. Ele observa que a discussão sobre o teto da dívida e as projeções de gastos governamentais continuam no radar, embora não tenham gerado movimentos mais expressivos nos preços dos ativos de maior risco.
Na avaliação do professor, a coexistência de sinais opostos — dólar fraco, ouro em recorde e bolsas próximas de picos — indica que parte dos participantes ainda não incorporou totalmente o risco de uma mudança repentina na percepção sobre a sustentabilidade fiscal americana. “Quando esse ajuste ocorrer, pode ser rápido”, completou.
Duarte defende que os investidores mantenham atenção redobrada aos indicadores de endividamento público e à evolução das negociações políticas em Washington. Para ele, eventos como debates sobre cortes de gastos ou novos pacotes de estímulo podem funcionar como gatilhos para revisões de preço, caso o mercado conclua que a trajetória fiscal dos EUA se tornou insustentável.

Imagem: Divulgação
Até o momento, entretanto, o professor reconhece que a combinação de liquidez global ainda elevada e a reputação do Tesouro americano como porto seguro continuam a sustentar o apetite por risco. “É um equilíbrio delicado. Basta um fator de estresse para o cenário mudar”, concluiu.
Para aprofundar a leitura sobre impactos macroeconômicos e decisões de política fiscal, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, mesmo com o dólar em queda e o ouro em patamar recorde, André Duarte alerta que o mercado pode não estar precificando adequadamente o risco fiscal dos Estados Unidos. Acompanhe nossas atualizações e fique por dentro dos próximos movimentos — inscreva-se para receber novos conteúdos em primeira mão.



