Síndico matou corretora e usou verba do condomínio na defesa. A Polícia Civil de Caldas Novas, no sul de Goiás, afirma que Cléber Rosa de Oliveira, síndico que confessou o homicídio da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, destinou recursos do condomínio para pagar honorários advocatícios.
O delegado André Luiz, responsável pelo caso, detalhou que a análise do celular de Cléber revelou um contrato de honorários enviado em 17 de janeiro de 2026. No dia seguinte, o atual presidente da associação condominial registrou boletim de ocorrência relatando um PIX da conta do condomínio em favor de Maykon Douglas de Oliveira, filho do síndico, no valor exato estipulado no contrato.
Síndico matou corretora e usou verba do condomínio na defesa
Como a movimentação financeira foi descoberta
Segundo André Luiz, a quebra do sigilo do aparelho de Cléber mostrou conversa entre ele e o advogado que o representa. O conteúdo não tratava da estratégia jurídica, mas incluía o documento com o valor dos honorários. “Ele custeou a defesa inicial com dinheiro que pertencia aos moradores”, afirmou o delegado.
Nesse ponto, a investigação passou a considerar a prática de crimes patrimoniais. O Grupo Especial de Investigações Criminais de Caldas Novas (Geic) abriu procedimento específico para apurar possíveis irregularidades na gestão condominial durante a administração de Cléber.
Desaparecimento e localização do corpo
Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025 após ser vista no subsolo do prédio administrado por Cléber. O corpo da corretora foi encontrado em 28 de janeiro de 2026, quando o síndico confessou o crime e indicou uma mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Ipameri, onde os restos mortais estavam em estado de ossada.
Na data da prisão, Cléber e Maykon foram detidos no condomínio. O pai assumiu o homicídio, enquanto o filho é investigado por obstrução de justiça. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi atacada no subsolo do edifício.
Provas que sustentam a acusação
A Polícia Civil recuperou o celular de Daiane em uma tubulação de esgoto do prédio. A última gravação feita pela corretora reforçou a tese de premeditação e emboscada, segundo o delegado João Paulo. O vídeo foi considerado a peça final para comprovar a dinâmica do crime.
Imagem: Divulgação
Motivação do conflito
Investigadores apontam que Cléber e Daiane enfrentavam desavenças judiciais havia meses. O síndico administrava seis apartamentos pertencentes à família da corretora, mas a gestão passou às mãos de Daiane, gerando atritos que resultaram em processos por perseguição e, posteriormente, no homicídio.
Indícios de crime patrimonial
O relatório policial que apura o uso indevido de recursos condominiais será anexado ao inquérito do Geic. Caso confirmado, Cléber poderá responder, além de homicídio qualificado, por apropriação indébita ou peculato, já que administrava as finanças da associação.
A defesa de Cléber Rosa de Oliveira não se manifestou até o momento.
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