Stephen Miran do Fed reafirma independência de Trump -

Stephen Miran do Fed reafirma independência de Trump

Stephen Miran do Fed reafirma independência de Trump e assegura que suas decisões sobre política monetária são tomadas sem qualquer orientação do presidente norte-americano, apesar de ter sido indicado pelo próprio Donald Trump para o banco central.

O dirigente falou nesta segunda-feira (22) durante sessão de perguntas e respostas após participar de um evento, poucos dias depois de ser o único voto dissidente na reunião que definiu a última taxa de juros.

Stephen Miran do Fed reafirma independência de Trump

Miran explicou que defendeu um corte de juros mais agressivo do que o aprovado na semana passada, mas negou ter recebido instruções do chefe do Executivo. “Trump nunca me pediu para seguir por um caminho específico em relação à política monetária”, afirmou.

Voto dissidente e posição “dovish”

O novo diretor declarou que sua visão mais acomodatícia, considerada “dovish” no jargão do mercado, baseia-se em dados econômicos e não em possíveis interesses do governo. “Eu não inventei os números da SEP [Sumário de Projeções Econômicas]”, disse, referindo-se ao documento trimestral divulgado pelo Federal Reserve.

Na reunião da semana passada, Miran foi o único a defender uma redução de juros superior à adotada pelos demais integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), o que chamou atenção de analistas que veem na nomeação uma tentativa de influência política sobre o Fed.

Licença da Casa Branca

Atualmente, Stephen Miran está licenciado do cargo de assessor econômico da Casa Branca para assumir a vaga deixada por Adriana Kugler, cujo mandato no conselho do Fed se encerra em janeiro do próximo ano. “Só estou de licença porque a vaga dura quatro meses. Se fosse mais, eu renunciaria”, declarou.

O comentário pretendeu afastar suspeitas de conflito de interesses, já que Miran integra a equipe econômica do governo. Ele frisou que pretende atuar “o mais independentemente possível, tanto no sentido político quanto intelectual”.

Críticas ao que chama de politização do Fed

Durante o evento, o diretor também criticou o que considera uma crescente politização do Federal Reserve. Segundo Miran, o banco central “está cada vez mais político”, principalmente ao se posicionar sobre temas como mudanças climáticas. Para ele, questões ambientais extrapolam o mandato de estabilidade de preços e pleno emprego atribuído à instituição.

Miran ressaltou, contudo, que não pretende ignorar riscos climáticos que afetem diretamente a economia, mas argumentou que assuntos ambientais devem ser tratados por agências competentes e pelo Congresso.

Reação dos mercados e próximos passos

Investidores acompanham com cautela a postura de Stephen Miran, à espera dos próximos encontros do Fomc. A expectativa é de que ele sustente seu viés de flexibilização, embora tenha dito que não votará “por ilusão de consenso” e somente apoiará medidas em que de fato acredite.

A nomeação de Miran ocorre em meio a críticas recorrentes de Donald Trump ao presidente do Fed, Jerome Powell, em seu segundo mandato. Mesmo assim, o novo dirigente afirma que atuará com total autonomia, reiterando que não servirá a interesses políticos.

O mercado deve monitorar as projeções econômicas a serem divulgadas no próximo trimestre, quando o voto de Miran voltará a ter peso nas discussões sobre o rumo dos juros norte-americanos.

Para aprofundar sua compreensão sobre a influência das decisões do Federal Reserve nos mercados, confira nossa seção de Economia, onde análises atualizadas podem ajudá-lo a planejar seus investimentos.

Em resumo, Stephen Miran reforçou que, apesar de ter sido indicado por Donald Trump, pretende exercer sua função no Fed com plena independência, guiado exclusivamente por dados e pela necessidade de estabilidade econômica. Continue acompanhando nossas publicações e fique por dentro dos próximos desdobramentos da política monetária dos Estados Unidos.

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