Tarifa do café nos EUA sofreu um corte de 10 pontos percentuais, decisão anunciada na sexta-feira, 14 de novembro, e recebida com otimismo pelos cafeicultores de Minas Gerais, maior estado produtor do grão no Brasil.
A medida, resultado de negociações entre Brasília e Washington, vale também para cerca de 200 itens alimentícios, como carne, açaí e manga. Todas as alíquotas, que desde agosto eram de 50 %, recuaram para 40 %. O café, principal produto da pauta agroexportadora mineira para o mercado norte-americano, havia acumulado queda de 51,5 % nas vendas externas entre agosto e outubro na comparação com o mesmo intervalo de 2024, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Tarifa do café nos EUA cai 10% e anima produtores mineiros
Em Minas Gerais, a retração foi sentida logo no primeiro mês do “tarifaço”: as remessas ao país norte-americano recuaram 17 % em agosto. Para Arnaldo Bottrel, presidente da Comissão Técnica de Cafeicultura do Sistema FAEMG, o alívio sinaliza um possível ciclo de reduções graduais. “Qualquer diminuição de tarifa gera segurança para exportadores e produtores. Vejo esse caminho com muito otimismo; se tirou 10 %, pode tirar mais”, afirmou.
Impacto imediato nas exportações
Os Estados Unidos permanecem como o principal destino do café brasileiro. Mesmo com a redução parcial, a tarifa de 40 % ainda pressiona custos e pode manter parte dos embarques represados até que o mercado mensure os efeitos práticos da nova alíquota. Exportadores avaliam que, caso não haja recuos adicionais, a competitividade frente a outros fornecedores seguirá limitada.
Expectativa do setor produtivo
A FAEMG aposta que um cenário de diálogo contínuo possa restabelecer volumes próximos aos registrados antes de agosto. Produtores relatam que a antecipação da colheita 2026, prevista para começar em maio, dependerá do ritmo de novos contratos com importadores norte-americanos. “Seguro para vender” foi a expressão usada por Bottrel ao descrever o sentimento pós-anúncio.
Indústria mineira pede cautela
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) comemorou a sinalização positiva, mas lembra que a sobretaxa ainda é elevada. O presidente da entidade, Flávio Roscoe, classificou a decisão como “passo importante, porém insuficiente”, ressaltando que cadeias como carnes, ferro gusa e equipamentos elétricos continuam impactadas. Para a FIEMG, a falta de clareza sobre o alcance da revisão tarifária mantém incertezas e exige negociações adicionais.
Imagem: Reprodução
Próximos movimentos diplomáticos
Nos bastidores, representantes do governo brasileiro indicam que nova rodada de conversas deve ocorrer no início de 2026. O objetivo é discutir a retirada completa das sobretaxas, sobretudo para bens em que o Brasil ocupa posição estratégica no fornecimento aos EUA. Enquanto isso, cooperativas mineiras avaliam redirecionar parte da produção para mercados alternativos na Europa e na Ásia, mitigando riscos cambiais e tarifários.
Embora o corte de 10 % na tarifa do café nos EUA ainda não devolva a competitividade observada antes de agosto, a decisão reaquece expectativas para o próximo ciclo de exportações. Produtores e indústria concordam: manter o diálogo aberto será determinante para que novas reduções avancem e o grão mineiro recupere terreno no principal mercado consumidor do mundo.
Se deseja acompanhar outras análises sobre comércio exterior e desempenho da economia, visite nossa editoria de Economia.
Resumo: a queda parcial da tarifa sinaliza oportunidades, mas o setor segue atento a futuras negociações. Continue acompanhando nossas atualizações e compartilhe esta notícia para manter mais pessoas informadas.



