Tarifas da UE contra Trump chegam a €93 bilhões, diz FT é o plano que diplomatas europeus vêm costurando para responder à ameaça do presidente dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times. A medida, ainda em fase de elaboração, busca garantir poder de barganha aos líderes do bloco nas reuniões com Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial, que ocorre esta semana em Davos, Suíça.
De acordo com funcionários envolvidos nas tratativas, o montante de € 93 bilhões em tarifas retaliatórias seria aplicado a um amplo leque de produtos norte-americanos. A iniciativa pretende evitar um rompimento profundo na aliança ocidental de defesa, considerada vital para a segurança europeia.
Tarifas da UE contra Trump chegam a €93 bi, diz FT
A ofensiva comercial ganhou impulso após Donald Trump voltar a mencionar, em reuniões internas, a possibilidade de comprar e anexar a Groenlândia — território autônomo do Reino da Dinamarca. O bloco interpreta a ideia como afronta direta à soberania europeia e ameaça ao equilíbrio geopolítico no Ártico.
Contexto da disputa
O interesse de Washington pela Groenlândia ressurgiu em 2019, mas ganhou novo fôlego no início deste ano. Para Bruxelas, qualquer tentativa de mudança de status territorial sem consentimento de Copenhague viola o direito internacional. A resposta estudada mira preservar a integridade territorial do Reino da Dinamarca e mostrar que a União Europeia dispõe de instrumentos econômicos robustos para reagir.
Alinhamento político interno
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na rede X ter conversado com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; com o presidente da França, Emmanuel Macron; com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; e com os primeiros-ministros de Reino Unido, Keir Starmer, e Itália, Giorgia Meloni. “Reafirmamos nosso compromisso de defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca”, escreveu.
Em nota oficial, o alto representante da UE para Política Externa, António Costa, ressaltou que recentes consultas com países do Ártico reforçaram “o forte compromisso com a lei internacional, a integridade territorial e a soberania nacional”. Costa avaliou que tarifas unilaterais dos EUA “minariam as relações transatlânticas e violariam os termos do acordo comercial entre Washington e Bruxelas”.
Ponto de negociação em Davos
Diplomatas afirmam que o encontro em Davos oferecerá a primeira oportunidade do ano para diálogo direto entre Trump e líderes europeus. Ao colocar um pacote de retaliação sobre a mesa, a UE espera equilibrar forças e evitar que a questão da Groenlândia provoque uma “espiral descendente” nas relações bilaterais.
Além da disputa territorial, a União Europeia teme que novas tarifas dos EUA atinjam setores estratégicos como aço, alumínio e automóveis, repetindo o cenário de 2018. O valor de € 93 bilhões foi calculado para igualar possíveis perdas comerciais, sinalizando que o bloco responderá na mesma escala.
Próximos passos
O desenho final das tarifas dependerá do andamento das conversas em Davos e de eventuais movimentos da Casa Branca. Caso não haja recuo, as medidas podem ser votadas no Conselho da UE já no primeiro trimestre, exigindo apoio unânime dos 27 Estados-membros.
Imagem: Juliana Prado e André Marinho
Líderes europeus também discutem alternativas diplomáticas, como levar a questão da Groenlândia ao Conselho de Segurança da ONU ou acionar mecanismos de mediação da Organização Mundial do Comércio. A prioridade, conforme palavras de Von der Leyen, é “proteger os interesses estratégicos e de segurança do bloco com firmeza e determinação”.
Até o momento, a Casa Branca não comentou publicamente a possibilidade de novas tarifas europeias. Assessores de Trump, porém, sustentam que “todas as opções permanecem sobre a mesa” para garantir o que classificam como “legítimos interesses dos Estados Unidos” na região ártica.
Enquanto isso, manifestantes em Nuuk, capital da Groenlândia, continuam a protestar contra qualquer tentativa de compra ou anexação do território. Faixas exibem mensagens como “Nossa terra não está à venda”, evidenciando o clima de tensão que envolve o tema.
A União Europeia, portanto, prepara-se para um delicado jogo de xadrez diplomático e comercial nas montanhas suíças de Davos, onde o futuro das relações transatlânticas pode ser redefinido.
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Em resumo, as possíveis tarifas de € 93 bilhões refletem a disposição da UE de defender a soberania europeia frente às pretensões de Trump na Groenlândia. Continue acompanhando nossas atualizações e não perca os próximos capítulos deste embate.



