Taxa de desemprego recuou para 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro, sinalizando um mercado de trabalho resiliente que pode complicar a trajetória de cortes de juros em 2026.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (30), o país registrou 5,6 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente desde 2012. A população ocupada atingiu recorde de 103,2 milhões de trabalhadores.
Taxa de desemprego cai a 5,2% e desafia corte de juros
A nova marca ficou abaixo dos 5,6% observados no trimestre anterior (encerrado em agosto) e dos 6,1% registrados no mesmo período de 2024. Entre 21 consultorias ouvidas pelo Valor, a mediana apontava para 5,4%. O resultado de 5,2% representou o piso das estimativas, que iam até 5,5%.
Mercado de trabalho renova recordes
O IBGE apurou expansão de 0,6% na população ocupada frente ao trimestre anterior, com acréscimo de 601 mil vagas. Na comparação anual, o avanço foi de 1,1% (1,1 milhão de postos). A taxa de ocupação atingiu 59% da população em idade de trabalhar, também recorde da série histórica.
Entre os empregados com carteira assinada no setor privado, o contingente chegou a 39,4 milhões. No setor público, somaram-se 13,1 milhões de vínculos, enquanto os trabalhadores por conta própria totalizaram 26 milhões.
Contratações públicas impulsionam resultado
Mais de 80% do aumento de vagas veio do grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que adicionou 492 mil pessoas ao quadro de empregados. Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, a expansão concentrada no setor público mostra que os segmentos mais sensíveis à política monetária continuam sem acelerar contratações.
Renda avança e sustenta consumo
A renda média habitual subiu 1,8% ante o trimestre encerrado em agosto, alcançando R$ 3.574, novo recorde. Em relação a igual período de 2024, o ganho real foi de 4,5%. Já a massa de rendimentos chegou a R$ 363,7 bilhões, alta de 2,5% no trimestre e de 5,8% em doze meses.
Desalento e informalidade em queda
O número de desalentados permaneceu em 2,6 milhões, estável no trimestre e 12,9% menor que um ano antes. A informalidade recuou ao menor nível desde o pré-pandemia, tendência reforçada pelo aumento das vagas formais com carteira assinada, segundo Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre.
Risco para a política de juros
A robustez do emprego, contudo, impõe desafio ao Banco Central. A economista-chefe do C6 Bank, Claudia Moreno, avalia que um mercado de trabalho aquecido sustenta a atividade, mas pressiona a inflação de serviços. O C6 prevê início dos cortes da Selic em março, com taxa básica em 13% ao fim de 2026.
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Para Alberto Ramos, do Goldman Sachs, a queda da taxa de participação ainda exige cautela. Ele observa recuo na força de trabalho ativa frente aos picos de maio, possivelmente influenciado por programas de transferência de renda.
Perspectivas para 2026
Tobler projeta que a desaceleração econômica prevista para 2026 deve elevar moderadamente o desemprego, mas ainda dentro de patamar historicamente baixo, entre 6% e 6,5%. “Entrar em 2026 com taxa inferior a 6% seria um sinal positivo”, afirma.
Os analistas concordam que, mesmo com juro elevado, o emprego tem sustentado o consumo e suavizado a perda de ritmo da economia. A trajetória futura dependerá da composição do crescimento e da resposta da política monetária aos sinais de aquecimento.
Para a coordenadora do IBGE, Adriana Beringuy, 2025 já pode ser considerado “bastante satisfatório”. Ela não descarta que a taxa de desemprego encerre o ano abaixo de 5%, caso os dados de dezembro confirmem o desempenho observado até novembro.
Com os indicadores atuais, o Brasil chega ao último trimestre de 2025 exibindo maior ocupação formal, menor informalidade e desalento em queda, consolidando um quadro de mercado de trabalho que desafia previsões de desaceleração mais forte.
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O recuo da taxa de desemprego para 5,2% reforça a resiliência do mercado de trabalho, mas mantém em aberto o debate sobre o ritmo de corte de juros em 2026. Continue acompanhando nossas atualizações e receba em primeira mão os impactos desses indicadores no dia a dia do país.



