Trump quer limitar juros do cartão de crédito a 10% nos EUA -

Trump quer limitar juros do cartão de crédito a 10% nos EUA

Trump quer limitar juros do cartão de crédito a 10% por um ano nos Estados Unidos, proposta que coloca em risco uma das atividades mais rentáveis do setor bancário e desafia emissores como JPMorgan, Capital One Financial e Citigroup.

O ex-presidente, que vem anunciando medidas para reduzir custos ao consumidor, mirou desta vez as taxas de cartões, hoje na média de 21%, segundo o Federal Reserve. A iniciativa gerou reação imediata de associações como Bank Policy Institute (BPI) e Consumer Bankers Association, que argumentam que um teto tão baixo reduziria o acesso ao crédito e afetaria milhões de famílias e pequenos negócios.

Trump quer limitar juros do cartão de crédito a 10% nos EUA

A proposta ganhou visibilidade após publicações de Trump em redes sociais que pedem a adoção do limite até 20 de janeiro. Contudo, depois de tentativas legislativas fracassarem em 2023, não está claro qual mecanismo o republicano usaria para forçar a mudança em poucos dias além da pressão pública.

Por que os bancos defendem taxas altas

Instituições financeiras alegam que empréstimos via cartão não têm garantia, diferentemente de hipotecas ou financiamentos de automóveis, o que exigiria juros maiores para compensar o risco de inadimplência. Após a crise de 2008, as taxas de cartões superaram 10%, enquanto hipotecas chegaram a ficar abaixo de 3%.

Mesmo assim, o segmento se tornou altamente lucrativo. Em 2024, o JPMorgan reportou rendimento líquido de 9,73% sobre mais de US$ 200 bilhões em empréstimos com cartões, gerando parte significativa dos US$ 25,5 bilhões de receita da divisão de cartões e automóveis.

Impacto potencial para consumidores e acionistas

Com a média atual de 21% ao ano, um saldo de US$ 10.000 pago em três anos soma mais de US$ 3.500 em juros. Se o teto de 10% fosse aplicado, analistas preveem que emissores cortariam linhas de crédito, aumentariam anuidades ou reduziriam programas de recompensas, tornando cartões menos atrativos, sobretudo para clientes de renda mais baixa.

Estudo do BPI, com dados do Fed de 2019, aponta que um limite de 10% poderia restringir o acesso ao crédito para 14,3 milhões de pessoas. Cooperativas de crédito alertam para impactos “devastadores”, já que não conseguiriam oferecer cartões nessa taxa.

No mercado de ações, o KBW Bank Index acumula alta de quase 40% desde a vitória eleitoral de Trump em novembro de 2024, reflexo de expectativas de desregulamentação. Um teto abrupto nos juros, porém, pode inverter o humor dos investidores ao comprimir margens de lucro.

Histórico de tentativas de limitar juros

Limitar taxas de cartão não é ideia nova no Congresso. Em 2019, Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez propuseram teto de 15%. No ano passado, Sanders se uniu ao republicano Josh Hawley em projeto que previa 10%, mas a medida não avançou. Durante a tramitação da Lei Genius, que regulamentou stablecoins e foi sancionada por Trump em julho, emenda semelhante também foi retirada.

Ao longo dessas discussões, o lobby bancário se manteve atuante, formando coalizões que incluem até grupos de consumidores preocupados com possível retração de crédito. Argumento frequente dos bancos é que limites rígidos levariam parte da população a recorrer a empréstimos de curtíssimo prazo, cujas taxas ultrapassam 300% ao ano em alguns estados.

Próximos passos

Sem apoio legislativo imediato, a proposta de Trump depende de negociação no Congresso ou de pressão política direta sobre bancos emissores. Enquanto isso, instituições estudam ajustes que permitam reduzir parte das taxas sem comprometer totalmente a rentabilidade, mas consideram inviável alcançar 10% sem eliminar margens.

Para consumidores, a discussão recoloca em pauta o custo do crédito rotativo e pode acelerar ofertas alternativas, como planos de parcelamento com juros menores ou cartões co-branded com condições específicas. Observadores do mercado aguardam os desdobramentos para entender se a iniciativa terá força para remodelar os preços do crédito ao consumo nos Estados Unidos.

Em resumo, a ofensiva de Trump contra os juros de cartões reacende o debate sobre acessibilidade a crédito versus sustentabilidade dos lucros bancários, tema que deve permanecer no centro das atenções de legisladores, setor financeiro e milhões de portadores de cartão.

Quer saber mais sobre mudanças que podem afetar o seu bolso? Aproveite para conferir outras análises em nossa seção de Economia.

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