Trump promete que EUA terão Groenlândia, custe o que custar — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (11) que Washington assumirá o controle da Groenlândia “de um jeito ou de outro”, reiterando seu interesse estratégico na ilha sob administração dinamarquesa.
Falando a bordo do Air Force One, no trajeto de retorno da Flórida para a Casa Branca, Trump disse a repórteres que preferiria firmar um acordo, mas, se necessário, recorrerá a outras vias para garantir o território, argumentando que não permitirá que Rússia ou China avancem sobre a região.
Trump promete que EUA terão Groenlândia, custe o que custar
De acordo com o presidente, a possibilidade de aquisição do território está sendo analisada por sua equipe. Uma porta-voz da Casa Branca confirmou que “discussões internas avaliam como seria uma eventual compra”, apesar da postura firme de Copenhague de que a ilha “não está à venda”.
Trump voltou a criticar o que considera “insuficiência” dos esforços dinamarqueses para proteger a Groenlândia. Durante a conversa com jornalistas, ele ironizou a defesa da ilha ao compará-la a “dois trenós puxados por cães”.
Argumento de segurança nacional
Para o líder norte-americano, a localização da Groenlândia é vital à segurança nacional dos Estados Unidos. A ilha fica sobre a rota mais curta entre a Europa e a América do Norte, corredor utilizado pelo sistema de alerta de mísseis balísticos norte-americano.
Washington já manifestou interesse em ampliar sua presença militar na região ártica, cogitando instalar novos radares para monitorar o tráfego naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido — passagens usadas por navios e submarinos russos. Em dezembro, Trump sustentou que “precisamos da Groenlândia para a segurança nacional, não por minerais”, mencionando avistamentos de embarcações russas e chinesas “ao longo de toda a costa”.
Disputa pelo Ártico
Analistas observam crescente militarização no Ártico, com Otan, China e Rússia expandindo atividades. Dados de navegação indicam que a maior parte do tráfego chinês ocorre no Ártico do Pacífico, enquanto a Rússia concentra operações ao longo de sua própria costa. Ainda assim, especialistas apontam que submarinos russos costumam cruzar as águas entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, rota estratégica conhecida como “GAP GIUK”.
A capital da Groenlândia, Nuuk, está mais próxima de Nova York do que de Copenhague. Além da posição geográfica, a ilha reúne reservas de minerais, petróleo e gás natural, embora o desenvolvimento econômico avance lentamente e conte com investimentos americanos limitados.
Imagem: Divulgação
Reação internacional
Governos europeus têm repudiado a intenção declarada de Trump. Autoridades dinamarquesas reiteram que a soberania da Groenlândia não está em negociação. O tema ganhou novo fôlego após a recente operação norte-americana que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, episódio que, segundo analistas, aumentou o debate sobre possíveis ações unilaterais dos EUA em territórios estrangeiros.
Apesar das críticas, Trump mantém o discurso de que assegurar a ilha é crucial para impedir avanços de Moscou e Pequim na região. “Se não fizermos, eles farão”, reforçou.
Ainda não há cronograma oficial para qualquer proposta formal aos dinamarqueses, mas assessores presidenciais indicam que o assunto permanece na agenda de segurança da Casa Branca.
Em síntese, a disputa pelo controle da Groenlândia evidencia o peso estratégico do Ártico na rivalidade entre grandes potências, colocando Dinamarca, Rússia, China e Estados Unidos em rota de colisão por influência e recursos.
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