Venda da carteira do Banco Master tornou-se o eixo central da estratégia do Banco de Brasília (BRB) para eliminar riscos, reforçar liquidez e recuperar a confiança de investidores após a descoberta de fraudes nas operações originadas no antigo Banco Master.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou que 100% dos ativos comprados em 2023 – avaliados em cerca de R$ 21,9 bilhões – já estão sendo ofertados a bancos e fundos especializados em crédito estruturado. A meta é concluir a alienação o mais rápido possível e, assim, encerrar um episódio que gerou ruído regulatório e pressão reputacional.
Venda da carteira do Banco Master: BRB acelera saída
De acordo com o executivo, a operação é peça-chave de um plano mais amplo que inclui medidas para:
- fortalecer a liquidez imediata do banco;
- absorver o provisionamento exigido pelo Banco Central de R$ 2,6 bilhões;
- evitar um eventual aporte do Governo do Distrito Federal (GDF);
- aumentar transparência e governança.
Detalhes dos ativos à venda
O pacote oferecido pela BRB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (BRB DTVM) reúne carteiras de crédito corporativo, empréstimos a pessoas físicas, cotas de fundos estruturados e imóveis estratégicos. Entre os bens de maior valor está um terreno na Marginal Pinheiros, próximo ao complexo Cidade Jardim, em São Paulo.
Do total de R$ 21,9 bilhões, R$ 12 bilhões eram considerados suspeitos. Segundo o BRB, R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos, reduzindo a exposição do balanço a possíveis perdas adicionais.
Planos alternativos de capitalização
Enquanto negocia a venda, o banco mantém frentes paralelas para reforçar capital:
- Estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com parte dos ativos;
- Captação junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
- Contribuição do GDF – alternativa que será descartada se a alienação da carteira for bem-sucedida.
“Nosso objetivo é preservar a autonomia financeira do BRB e resolver o problema sem recorrer ao controlador”, declarou Souza em reunião com investidores na avenida Faria Lima, em São Paulo.
Imagem: Divulgação
Investigações e exigências regulatórias
A venda ocorre sob a lupa do Banco Central e da Polícia Federal, que investigam a negociação de carteiras possivelmente inexistentes, alvo da Operação Compliance Zero. O órgão regulador determinou o provisionamento de R$ 2,6 bilhões para cobrir riscos relacionados ao caso.
Próximos passos no radar do mercado
Analistas acompanham quatro pontos essenciais:
- velocidade de conclusão da venda;
- desconto aplicado na transação;
- impacto final no índice de capital do BRB;
- possíveis novos desdobramentos regulatórios.
Se a alienação ocorrer dentro das condições esperadas, o BRB espera encerrar o episódio ainda no primeiro semestre de 2026, trocando um passivo imprevisível por uma perda limitada e conhecida.
Para saber como movimentos semelhantes afetam o sistema financeiro, confira nossa seção de Economia com análises atualizadas sobre bancos e mercado de capitais.
O desfecho da venda da carteira do Banco Master indicará a capacidade do BRB de virar a página e retomar um crescimento sustentável. Acompanhe as próximas atualizações e permaneça informado sobre cada etapa desta negociação decisiva.



