Veneno de rã-flecha matou Navalny, dizem cinco países -

Veneno de rã-flecha matou Navalny, dizem cinco países

Veneno de rã-flecha foi detectado nas amostras coletadas do opositor russo Alexei Navalny, morto em 2024 em uma colônia penal na Sibéria, segundo relatório divulgado neste sábado (14) por Alemanha, França, Holanda, Reino Unido e Suécia.

As nações europeias afirmam que a toxina identificada é a epibatidina, substância produzida na pele de pequenos anfíbios coloridos que habitam as florestas tropicais da América do Sul e historicamente usada por povos originários como arma de caça.

Veneno de rã-flecha matou Navalny, dizem cinco países

De acordo com o comunicado conjunto, “apenas o Estado russo possuía os meios, o motivo e a oportunidade” para administrar a epibatidina a Navalny enquanto ele cumpria pena em uma prisão do Ártico. Os governos europeus denunciaram oficialmente Moscou à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

Como a toxina age e por que é tão rara

A epibatidina é considerada uma das substâncias naturais mais letais já catalogadas. Estudos conduzidos desde a década de 1970 apontam que um único indivíduo adulto de rã-flecha pode conter veneno suficiente para eliminar até dez pessoas. Em laboratório, a molécula inspirou analgésicos potentes, já que seus efeitos se assemelham aos de opioides.

Pesquisadores descobriram que o anfíbio não produz o veneno por conta própria: ele o adquire ao metabolizar formigas que, por sua vez, consomem plantas tóxicas. Fora do habitat, as rãs perdem a capacidade de sintetizar a epibatidina, o que reforça a raridade e o alto custo de obtenção da substância.

Uso ancestral na Amazônia

Povos indígenas, como os emberá, da Colômbia, extraem a epibatidina para revestir dardos lançados por zarabatanas. A prática, registrada há séculos, inspirou o nome popular “rã-flecha”. Os animais medem entre 2,5 cm e 5 cm e exibem cores vibrantes que funcionam como alerta visual a predadores.

Contexto político e histórico

Navalny já havia sobrevivido a um envenenamento em 2020, quando, também na Sibéria, foi alvo do agente nervoso Novichok. Após meses em tratamento na Alemanha, ele retornou à Rússia em 2021, foi detido e, três anos depois, morreu sob custódia. Carismático, o ativista mobilizou protestos anticorrupção que reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Os cinco governos europeus sustentam que o Kremlin quis silenciar o opositor mais proeminente do presidente Vladimir Putin. “Sabemos que o Estado russo usou essa toxina letal para atingir Navalny por medo de sua oposição”, diz a nota oficial.

Próximos passos

Com a denúncia protocolada na OPAQ, os países esperam uma investigação internacional sobre o suposto uso da epibatidina como arma química. Moscou não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem.

O enredo reforça preocupações de que agentes biológicos exóticos estejam entrando no arsenal de assassinatos políticos, tendência que, se confirmada, pode levar a novos tratados ou sanções globais.

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Em resumo, a descoberta do veneno de rã-flecha nas amostras de Alexei Navalny amplia as acusações contra o governo russo e expõe a sofisticação dos métodos empregados em crimes de Estado. Acompanhe nossas atualizações e entenda como o caso pode influenciar políticas globais de segurança.

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