O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste sábado, 23 de agosto de 2025, que as nações do Sul Global devem intensificar a pressão sobre a Rússia para viabilizar um acordo que encerre a guerra iniciada em fevereiro de 2022. A declaração foi publicada na rede social X, após conversa telefônica com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
“Reitero minha disposição para qualquer formato de reunião com o chefe da Rússia. No entanto, vemos Moscou tentando prolongar a situação”, escreveu Zelensky. Segundo ele, “é importante que o Sul Global envie sinais relevantes e empurre a Rússia em direção à paz”.
Exigências de Moscou
Fontes próximas ao alto escalão russo informaram à agência Reuters que o presidente Vladimir Putin condiciona um tratado de paz à manutenção de todo o Donbass sob controle russo, além de garantias de que a Ucrânia não ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nem hospedará tropas ocidentais em seu território.
As mesmas fontes afirmam que Moscou estaria disposta a abrir mão de Kherson e Zaporizhzhia, regiões exigidas em proposta apresentada em junho de 2024, caso Kiev aceite retirar-se das áreas restantes do Donbass que ainda administra. A Rússia controla atualmente cerca de 88% do Donbass e 73% de Zaporizhzhia e Kherson, de acordo com estimativas dos Estados Unidos.
Putin também busca um compromisso juridicamente vinculante que impeça a expansão da Otan para o leste, além de garantias de que nenhuma força de paz ocidental será enviada ao território ucraniano. A União Europeia chegou a discutir uma missão de observadores militares, composta por soldados europeus, para monitorar a cessação das hostilidades.
Posição de Kiev e dos Estados Unidos
Zelensky já declarou que não aceitará ceder o Donbass, argumentando que a concessão estimularia novas expansões territoriais de Moscou. Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na última semana que coordenará com a Europa garantias de segurança para a Ucrânia, incluindo eventual presença de tropas ocidentais após o fim do conflito — ponto que diverge da exigência russa.

Imagem: g1.globo.com
Até o momento, nem a chancelaria ucraniana nem a Casa Branca se pronunciaram oficialmente sobre as exigências atribuídas ao Kremlin. A Otan também não comentou.
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Com informações de g1



