Filme Honestino abriu, na noite desta quinta-feira (10), a programação oficial do Festival do Rio 2025 e arrancou lágrimas do público no histórico Cine Odeon, no centro da capital fluminense.
Dirigido por Aurélio Michiles, o longa-metragem revisita a vida do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido em 1973 durante a ditadura militar, e combina depoimentos reais a sequências ficcionais estreladas por Bruno Gagliasso.
Filme Honestino emociona na estreia no Festival do Rio
Em pouco mais de duas horas, a produção entrelaça entrevistas, imagens de arquivo e dramatizações para reconstruir a trajetória do ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 1968 e 1973, período marcado por repressão, prisões e censura.
Decisão difícil para quem viveu a história
Amigo pessoal de Honestino e participante do mesmo movimento estudantil, Michiles admitiu que hesitou antes de aceitar o convite do produtor Nilson Rodrigues. “Sempre pensei em contar essa história, mas faltava coragem. É a história de um Brasil injusto e violento que matou milhares de brasileiros”, afirmou o diretor após a exibição.
Linguagem híbrida aproxima passado e presente
O documentário utiliza uma estética híbrida para tornar o personagem “tangível e vivo”, nas palavras de Michiles. A estrutura de docudrama une trechos de arquivos oficiais, fotografias e encenações que colocam o espectador frente a um acontecimento ainda inconcluso, já que o paradeiro de Honestino Guimarães jamais foi esclarecido.
Bruno Gagliasso, que assume o papel principal, destacou o simbolismo do projeto: “Tentaram silenciar Honestino há 50 anos, mas o silêncio não venceu. Ele defendia educação, liberdade e democracia; portanto, este é um filme sobre o presente, não apenas sobre o passado”.
Trilogia sobre a ditadura ganha novo capítulo
Para Nilson Rodrigues, a obra encerra a trilogia iniciada com “O Outro Lado do Paraíso” (2014) e “O Pastor e o Guerrilheiro” (2022). “Honestino merecia ter sua história contada. Fora do meio estudantil, ele ainda é pouco conhecido. Temos compromisso com a memória de quem lutou pela democracia”, explicou o produtor.
Trilha sonora une tensão e esperança
Composta por Flávia Tygel, a trilha sonora reflete repressão e perigo, mas também poesia e esperança. Cordas, violão e programações eletrônicas criam o clima que culmina em “O Coro dos Canalhas”, canção original interpretada por Fafá de Belém e assinada por Tygel, Michiles e Chico Chaves.
Imagem: Anna Karina de Carvalho
Reação do público e próximos passos
A professora carioca de História Maria Solange Melo Lins resumiu a sensação geral após a sessão: “É impactante. Precisamos resgatar essas histórias para que os alunos entendam o que foi a ditadura. O cinema é uma ferramenta maravilhosa para compreender a História”.
Concorrendo na mostra competitiva do Festival do Rio, que segue até 12 de outubro, “Honestino” tem lançamento comercial previsto para maio de 2026.
Ao final da apresentação, Michiles definiu o longa com poucas palavras: “É sobre memória, coragem e compromisso com a verdade. É sobre o Brasil que fomos e o Brasil que ainda somos”.
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Filme, história e memória se unem em “Honestino”, obra que revive um passado ainda presente. Explore outros conteúdos no site e compartilhe esta notícia nas redes sociais para manter viva a discussão sobre democracia e direitos humanos.



