Juros futuros começaram 2026 em queda, com as principais taxas da curva a termo recuando de forma consistente na primeira sessão do ano.
Após semanas de volatilidade provocada pelo cenário político no fim de 2025, o mercado de renda fixa aproveitou a liquidez reduzida do período pós-festas para enxugar prêmios de risco, impulsionando a descida dos rendimentos, especialmente nos vértices mais longos.
Juros futuros recuam no primeiro pregão de 2026 no Brasil
No encerramento dos negócios desta sexta-feira (2), a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,805 % para 13,70 %. O DI de janeiro de 2028 recuou de 13,17 % para 13,05 %, enquanto o de janeiro de 2029 passou de 13,19 % para 13,06 %. Já o DI para janeiro de 2031 despencou de 13,47 % para 13,33 %, atingindo o menor fechamento desde 15 de dezembro, quando ficou em 13,255 %.
Retirada de prêmios e curva mais achatada
Operadores apontaram fatores técnicos como principal motor da correção, já que a agenda econômica do dia foi esvaziada e não apresentou indicadores relevantes. A devolução do estresse observado na segunda quinzena de dezembro reforçou a tendência de achatamento da curva, com investidores preferindo posições aplicadas (apostando em queda de taxas) nos prazos mais distantes.
Mesmo depois do ajuste, a estrutura a termo ainda embute menos de 2,5 pontos percentuais de cortes na Selic ao longo de 2026, patamar classificado como conservador por parte do mercado. Para um tesoureiro de um grande banco local, a faixa justa para o ciclo de redução dos juros estaria entre 2,5 e 3,5 pontos, sugerindo espaço para novo alívio se surgirem sinais adicionais de acomodação.
Expectativas para a Selic e próximos dados
Os números recentes do mercado de trabalho — Pnad Contínua e Caged de novembro — indicaram ritmo econômico ainda aquecido, o que levou agentes a precificar maior probabilidade de o primeiro corte da Selic ocorrer apenas na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Nesse cenário, a taxa básica permaneceria em 15 % pela quinta vez seguida na decisão marcada para 28 de janeiro.
O dado mais aguardado agora é o IPCA de dezembro, previsto para a próxima sexta-feira. Caso a leitura aponte inflação pressionada, o mercado tende a consolidar a aposta no início do ciclo de afrouxamento apenas em março. Por outro lado, um resultado mais benigno poderá reabrir a possibilidade de redução ainda em janeiro.
Imagem: Wi Pa
Liquidez contida no início do ano
Analistas lembram que o menor volume de operações, típico dos primeiros dias de janeiro, tende a amplificar movimentos de correção. Mesmo assim, a direção tomada nesta sessão foi considerada coerente com os fundamentos, pois grande parte do estresse embutido nas taxas vinha de fatores pontuais ligados à incerteza política nas últimas semanas do ano passado.
Com a agenda doméstica mais movimentada a partir da próxima semana, a atenção se voltará para discursos de dirigentes do Banco Central e para indicadores de atividade, que podem calibrar as expectativas tanto para o ritmo quanto para a magnitude dos futuros cortes de juros.
Em resumo, a primeira sessão de 2026 termina com sinal positivo para os investidores que apostam em queda das taxas, mas o mercado permanece atento a dados de inflação e atividade que definirão o rumo dos juros nas próximas reuniões do Copom.
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Os primeiros números do ano indicam que a trajetória dos juros segue sensível aos próximos dados de inflação. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como essas oscilações podem impactar seus investimentos.



