Juros futuros recuam com dólar fraco e fluxo estrangeiro -

Juros futuros recuam com dólar fraco e fluxo estrangeiro

Juros futuros recuam com dólar fraco e fluxo estrangeiro: as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) terminaram a sessão desta segunda-feira (9) em queda, acompanhando o aumento do apetite global por ativos de mercados emergentes e a expressiva desvalorização do dólar.

O movimento se concentrou sobretudo nos vértices de longo prazo, ajudando a reduzir parte da inclinação que vinha dominando a curva de juros em 2026. Ao fim dos negócios, o DI para janeiro de 2027 cedeu de 13,355% para 13,335%; o janeiro de 2028 recuou de 12,665% para 12,615%; o janeiro de 2029 passou de 12,745% para 12,680%; e o contrato para janeiro de 2031 baixou de 13,19% para 13,09%.

Juros futuros recuam com dólar fraco e fluxo estrangeiro

O dia foi marcado por um enfraquecimento amplo da moeda americana, que encerrou no menor patamar em 21 meses frente ao real, estimulando uma nova rodada de capital estrangeiro para o Brasil. Esse fluxo sustentou o chamado “bull flattening”, quando os prêmios de longo prazo caem mais que os de curto, achatando a curva.

Fatores que influenciaram o mercado

1. Dólar em queda: a valorização do real intensificou o interesse por ativos locais, incluindo títulos de renda fixa.
2. Apetite global por emergentes: investidores buscaram retornos superiores diante de sinais de desaceleração nos Estados Unidos.
3. Reação limitada a falas do Banco Central: comentários do presidente do BC, Gabriel Galípolo, foram considerados mais conservadores, porém acabaram ofuscados pela dinâmica externa.

Declarações de Gabriel Galípolo

Pela manhã, em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Galípolo afirmou que o momento exige “calibragem” da taxa Selic e que o Banco Central ainda não “declarou vitória” sobre a inflação. A fala chegou a pressionar os contratos curtos, levando o DI para janeiro de 2027 a subir quase 6 pontos-base.

No mercado de opções digitais, a probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), subiu para 25% durante a manhã. Contudo, à tarde, o otimismo externo reduziu essa precificação para 20%. Já a chance de um corte de 0,50 ponto permaneceu em 70%, após tocar a mínima de 65% mais cedo.

Próximos indicadores no radar

Os investidores voltam as atenções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, que será divulgado às 9h desta terça-feira (10). Componentes ligados a serviços e atividade econômica devem orientar as expectativas para a próxima decisão do Copom.

Em síntese, a combinação de dólar em baixa e influxo estrangeiro pesou mais que o tom cauteloso do Banco Central, devolvendo prêmios na parte longa da curva de juros e ajustando a inclinação observada na semana anterior.

Se quiser entender melhor como o comportamento da moeda influencia investimentos e decisões de política monetária, confira outros conteúdos na seção Economia do Diário de Finanças.

Os juros futuros seguirão sensíveis a dados de inflação e ao cenário internacional. Acompanhe as próximas divulgações e mantenha-se informado para tomar decisões mais seguras.

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