Bolsas de Nova York avançam com apostas em corte de juros e Nasdaq renova máxima histórica -

Bolsas de Nova York avançam com apostas em corte de juros e Nasdaq renova máxima histórica

Os principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram a sessão desta sexta-feira (8) em terreno positivo, impulsionados pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) possa iniciar o ciclo de redução de juros já na reunião de setembro. O movimento de otimismo ganhou força em meio a sinais de mudança na composição da autoridade monetária, considerados favoráveis a uma política mais branda, e à possibilidade de um acordo diplomático entre Washington e Moscou para pôr fim à guerra na Ucrânia.

No fechamento do pregão, o Dow Jones subiu 0,47 %, aos 44.175,61 pontos; o S&P 500 avançou 0,78 %, para 6.389,45 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,98 %, atingindo 21.450,02 pontos e registrando nova máxima histórica de encerramento. Na comparação semanal, os índices acumularam altas de 1,35 % (Dow), 2,43 % (S&P 500) e 3,87 % (Nasdaq).

Com a agenda de indicadores econômicos praticamente vazia, os investidores concentraram a atenção nos bastidores do banco central norte-americano. O governo escolheu Stephen Miran para ocupar temporariamente a cadeira de Adriana Kugler no Conselho do Fed, enquanto o diretor Christopher Waller desponta como favorito para suceder Jerome Powell na presidência da instituição. Ambos são vistos pelo mercado como defensores de uma linha mais dovish, ou seja, inclinada a juros mais baixos, posição que coincide com as preferências do ex-presidente Donald Trump.

A leitura de que a futura composição do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) pode reforçar a possibilidade de cortes na taxa básica a partir de setembro sustentou o apetite por risco durante todo o dia. Operadores também seguem avaliando o ritmo de arrefecimento da inflação nos Estados Unidos, dado considerado fundamental para a próxima decisão de política monetária.

Em discurso realizado nesta sexta-feira, Alberto Musalem, presidente do Fed de Saint Louis, afirmou que a autoridade monetária ainda está distante de cumprir inteiramente a meta de inflação. Apesar do tom cauteloso, a fala foi interpretada como compatível com ajustes moderados nos juros, caso os próximos relatórios mostrem avanço consistente rumo ao objetivo de estabilidade de preços.

Além dos fatores domésticos, rumores sobre um eventual entendimento entre Estados Unidos e Rússia para encerrar o conflito na Ucrânia contribuíram pontualmente para o clima favorável nos mercados. Embora não haja confirmação oficial de negociações concretas, a simples perspectiva de redução das tensões geopolíticas tende a aliviar pressões sobre commodities energéticas e, por consequência, sobre a inflação global.

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Imagem: Michael Nagle via valor.globo.com

No mercado setorial, ações de tecnologia lideraram os ganhos e tiveram papel decisivo para o novo recorde do Nasdaq. Papéis de empresas ligadas ao consumo discricionário e a serviços de comunicação também avançaram, sustentados pela expectativa de custos de financiamento mais baixos. Por outro lado, companhias do segmento de energia registraram desempenho mais contido, refletindo a queda dos preços do petróleo ao longo da sessão.

Investidores agora voltam as atenções para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de julho, agendada para a próxima semana, além de dados sobre vendas no varejo e produção industrial. Esses indicadores deverão balizar, juntamente com os comentários de dirigentes do Fed, as projeções para a decisão de setembro, quando parte relevante do mercado prevê o primeiro corte nos Fed funds desde o início do ciclo de aperto monetário em 2022.

Apesar do otimismo predominante, analistas ressaltam que a trajetória dos ativos de risco continua dependente da evolução dos dados macroeconômicos e das indicações de política monetária. Uma desaceleração mais acentuada da economia norte-americana ou uma eventual retomada das pressões inflacionárias poderiam levar o Fed a adiar ou mesmo reavaliar a extensão dos possíveis cortes de juros, cenário que traria volatilidade adicional às bolsas.

Com o fechamento desta sexta-feira, o mercado acionário dos Estados Unidos acumula desempenho positivo no mês de agosto, apoiado na combinação de balanços corporativos considerados sólidos e na expectativa de afrouxamento gradual das condições financeiras. O comportamento dos índices ao longo das próximas semanas, contudo, seguirá condicionado à confirmação dos sinais de alívio inflacionário e à clareza sobre a futura liderança da autoridade monetária.

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