Brasília — O Palácio do Planalto colocou em marcha uma operação política para impedir que a Câmara dos Deputados aprove, em regime de urgência, o projeto de anistia que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa do governo é de que o requerimento seja votado na próxima quarta-feira, 10, logo após o Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento que analisa a suposta trama golpista.
À frente da articulação está a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que reúne-se nesta segunda-feira (8) com os ministros Celso Sabino (Turismo), André Fufuca (Esporte) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos). Integrantes do União Brasil, PP e Republicanos — partidos do Centrão com assentos no governo — serão pressionados a orientar suas bancadas contra a urgência da proposta.
Pressão sobre aliados
Segundo fontes do Planalto, a orientação a ser repassada é direta: quem não se engajar para barrar o texto poderá perder espaço na Esplanada. A ameaça atende a uma “questão de honra” para o governo, que recentemente foi derrotado na escolha da presidência e relatoria da CPI mista do INSS, dominada pela oposição.
Embora o União Brasil costume votar majoritariamente contra o Executivo, a maior preocupação recai sobre o Republicanos. A sigla dos ministros Silvio Costa Filho e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, costuma entregar votos importantes ao governo e tem liderado parte das articulações a favor da anistia.
Estrategia múltipla
Paralelamente, interlocutores do governo no Congresso abordam deputados do Centrão para argumentar que a votação traria desgaste sem garantia de resultado: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não pautará o tema e, caso o projeto avance, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu a vetá-lo.
No cenário de aprovação mesmo após um eventual veto, auxiliares de Lula lembram que o Supremo poderia derrubar a anistia com base no entendimento firmado pelo ministro Luiz Fux no caso do indulto concedido por Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira: crimes contra a democracia não são passíveis de perdão.
Votos contabilizados
Do lado oposto, a oposição calcula ter cerca de 290 votos, acima dos 257 necessários para aprovar a urgência. O requerimento, protocolado em abril pelo líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), já conta com 262 assinaturas. Na ocasião, o Planalto tentou, sem sucesso, fazer parlamentares retirarem o apoio, inclusive ameaçando cortar cargos e emendas.
Imagem: Marina Ramos via oglobo.globo.com
Diante do impasse, deputados governistas — como Lindbergh Farias (PT-RJ) — passaram a dar entrevistas para reforçar o argumento de que conceder anistia a envolvidos em tentativa de golpe é inconstitucional. Nos bastidores, ministros do STF têm compartilhado a mesma interpretação.
Se a ofensiva conseguirá ou não alterar votos deverá ficar claro apenas após o julgamento no Supremo e a apresentação do texto final no plenário da Câmara.
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Com informações de O Globo



