Acordo UE-Mercosul deve ser assinado em janeiro, diz Lula -

Acordo UE-Mercosul deve ser assinado em janeiro, diz Lula

Acordo UE-Mercosul deverá ser formalizado em janeiro, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da resistência pública da França ao tratado de livre-comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia.

O anúncio ocorreu neste sábado (20), durante a abertura da Cúpula do Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, evento que marcou o encerramento do semestre de presidência brasileira do bloco e a transferência do comando rotativo ao Paraguai.

Acordo UE-Mercosul deve ser assinado em janeiro, diz Lula

Lula afirmou que a data anterior para a assinatura, prevista pelos líderes europeus para o próprio dia da cúpula, foi adiada a pedido da União Europeia. Segundo o presidente, autoridades em Bruxelas solicitaram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção ao setor agrícola, principal ponto de tensão para alguns Estados-membros.

Motivo do adiamento

De acordo com Lula, o impasse não se deve à oposição francesa, já conhecida, mas a uma divergência interna envolvendo o governo italiano. A primeira-ministra Giorgia Meloni teria explicado, por telefone, que questões sobre a distribuição de verbas agrícolas dentro da UE exigem ajustes antes da assinatura.

O presidente relatou ter recebido carta conjunta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, confirmando “expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro”. Lula acrescentou que, mesmo que a França mantenha objeções, outros parceiros europeus consideram impossível que Paris consiga vetar sozinha o tratado.

Dimensão econômica

Negociado há 26 anos, o acordo UE-Mercosul abrange um mercado de 722 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado de US$ 22 trilhões, configurando-se como um dos maiores pactos de livre-comércio do planeta. Os termos gerais foram anunciados em 2019, e, em 2024, o texto de parceria foi finalizado para permitir a redação do tratado definitivo.

Novas frentes comerciais do Mercosul

Durante a cúpula, Lula destacou que o Mercosul pretende ampliar acordos com outros parceiros. Ele citou avanços com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que reúne economias com PIB somado de quase US$ 1,5 trilhão, além de negociações em andamento com Índia, Emirados Árabes Unidos, Canadá, Japão e Vietnã.

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Imagem: Divulgação

Internamente, o chefe do Executivo brasileiro defendeu maior integração sul-americana. Segundo ele, o comércio intrarregional responde por apenas 15% das trocas totais, índice distante dos cerca de 60% observados na Ásia e na Europa. Para reverter o quadro, sugeriu incluir os setores sucroalcooleiro e automotivo nas regras do Mercosul.

Próximos passos

A expectativa do governo brasileiro é que a assinatura ocorra “no primeiro mês da presidência do Paraguai”, como declarou Lula, ao lado do presidente paraguaio Santiago Peña. Caso se confirme, o tratado ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos antes de entrar em vigor.

Com o cronograma atualizado e o compromisso reafirmado por Bruxelas, o Mercosul aguarda a conclusão das discussões agrícolas europeias para selar oficialmente o acordo histórico.

Para acompanhar outras movimentações que impactam o comércio exterior e a economia regional, acesse a seção de Economia do Diário de Finanças.

Resumo: Lula afirmou que o acordo UE-Mercosul foi adiado para janeiro devido a ajustes internos na UE, mas mantém apoio majoritário dos europeus. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba como o tratado pode influenciar mercados e oportunidades de negócios.

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