Banco Master: perfis de fofoca atacam Banco Central -

Banco Master: perfis de fofoca atacam Banco Central

Banco Master é o ponto de partida de uma ofensiva digital que mobiliza ao menos 46 perfis em redes sociais, muitos deles especializados em fofoca, para disparar críticas coordenadas contra o Banco Central (BC) e seus executivos.

Os ataques ganharam força nos últimos dias, em meio à disputa jurídica que envolve a liquidação do Master e a tentativa frustrada de venda de parte da instituição ao Banco de Brasília (BRB). As publicações circulam principalmente no Instagram e têm como alvo diretores do BC, o presidente interino Gabriel Galípolo e associações do sistema financeiro.

Banco Master: perfis de fofoca atacam Banco Central

A estratégia de comunicação, descrita por analistas do mercado como “bombardeio digital”, intensificou-se após a decisão unânime do colegiado do BC, em setembro, de vetar a aquisição do BRB pelo Master. Na ocasião, o parecer técnico foi elaborado pela diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, chefiada até 31 de dezembro por Renato Gomes.

Alvos principais dos influenciadores

Gomes, que deixou o cargo no último dia do ano, transformou-se em figura central das mensagens críticas. Outdoors com sua foto já haviam sido espalhados por Brasília antes do veto. Agora, seu nome reaparece em publicações que o acusam de ter deixado “instabilidade no mercado financeiro” e promovido “interpretações voláteis das normas”, segundo texto postado em 2 de janeiro pelo perfil @divasdohumor.

Além de Gomes, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, também são citados. Postagens mencionam ainda banqueiros e entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que divulgou notas de apoio à liquidação do Master e, em dezembro, registrou “volume atípico” de menções negativas em plataformas sociais.

Perfis de entretenimento dominam a campanha

Levanta suspeitas o fato de perfis sem relação com economia protagonizarem a ofensiva. Entre eles, @divasdohumor publica normalmente conteúdos sobre celebridades, enquanto @Festadafirma comenta situações do cotidiano corporativo. Este último, administrado pela agência de marketing Banca Digital, compartilhou em 31 de dezembro um post sobre depoimentos de Daniel Vorcaro, controlador do Master, e do presidente do BRB à Polícia Federal.

A Banca Digital informou ter recusado proposta para impulsionar publicações pagas a favor do Master e classificou o conteúdo como “orgânico”. Já a empresa Deubuzz, que gerencia ao menos quatro contas de fofoca que criticaram Gomes no dia 2, não respondeu a pedidos de esclarecimento.

Repercussão no setor financeiro

O presidente da Febraban, Isaac Sidney, relatou à entidade um monitoramento próprio que identificou intensa atividade de perfis contra a federação no mês passado. A análise interna avalia se a ação configura ataque coordenado, o que poderia levar a medidas judiciais.

Executivos do mercado creditam o aumento dos ataques à tensão gerada pela disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), onde tramitam ações movidas pelos representantes do Master contra a decisão do BC. Em paralelo, o Ministério Público Federal apura possíveis irregularidades na gestão da instituição financeira.

Silêncio do Banco Master e de seu controlador

Procurados pela reportagem, o Banco Master e Daniel Vorcaro preferiram não se manifestar sobre a articulação de influenciadores digitais. Nos bastidores, integrantes da autarquia observam o movimento como tentativa de pressão pública para reverter a liquidação extrajudicial decretada em novembro.

Renato Gomes, por sua vez, limitou-se a dizer a interlocutores que não pretende “dignificar as besteiras” publicadas nas redes. A postura de reserva, segundo fontes próximas, busca evitar que o debate saia do campo técnico para o terreno das redes sociais.

Por ora, o BC mantém todas as decisões sobre o caso e reitera que o processo de liquidação do Banco Master seguiu critérios prudenciais previstos na legislação bancária.

O episódio evidencia a crescente utilização de páginas de entretenimento para pautar discussões econômicas de alta complexidade, lançando dúvidas sobre a origem e o financiamento de campanhas que miram autoridades reguladoras.

Para quem acompanha o desdobramento, resta acompanhar os próximos capítulos nos tribunais e nas redes, onde a disputa pelo controle da narrativa permanece intensa.

Quer entender como decisões do Banco Central influenciam o seu bolso? Confira outros conteúdos em nosso canal de Economia.

Esta reportagem detalhou a mobilização de perfis de fofoca em ataques coordenados ao BC no caso Banco Master. Continue informado e acompanhe nossas atualizações diárias.

Scroll to Top