Binance é acusada de facilitar pagamentos ao Hamas em uma ação apresentada por cidadãos norte-americanos que perderam parentes nos atentados de 7 de outubro de 2023 em Israel. O processo, protocolado na segunda-feira (25) em um tribunal federal dos Estados Unidos, aponta que a corretora e seu fundador, Changpeng Zhao, teriam permitido a movimentação de milhões de dólares para grupos militantes como Hamas, Hezbollah, Guarda Revolucionária do Irã e Jihad Islâmica Palestina.
De acordo com a petição, a plataforma de criptomoedas “conscientemente prestou assistência substancial” ao ocultar transações ligadas a organizações terroristas, mesmo depois de ter desembolsado US$ 4,3 bilhões, em novembro de 2023, para encerrar acusações de violação das leis de lavagem de dinheiro e sanções norte-americanas.
Binance é acusada de facilitar pagamentos ao Hamas
Os advogados das famílias afirmam que mais de US$ 50 milhões circularam em carteiras vinculadas ao Hamas e a outros grupos desde 7 de outubro de 2023. Eles também alegam que contas administradas pela própria Binance teriam enviado mais de US$ 300 milhões antes dos ataques e outros US$ 115 milhões posteriormente.
Processo destaca responsabilidade de Changpeng Zhao
Changpeng Zhao, conhecido como CZ, cumpre pena de quatro meses de prisão após admitir falhas nos controles contra lavagem de dinheiro. Em outubro, o ex-presidente Donald Trump concedeu perdão ao bilionário, justificando que Zhao teria sido alvo de uma “guerra contra as criptomoedas” conduzida pelo governo Biden.
A nova ação sustenta que, mesmo após o acordo bilionário com autoridades dos EUA, a Binance não teria alterado “significativamente seu modelo de negócios”, permitindo que terroristas e outros criminosos continuassem movimentando recursos “impunemente”. Os autores do processo acrescentam que algumas das contas suspeitas permaneceriam ativas.
Defesa da empresa e posicionamento oficial
Em nota, a Binance declarou que não comenta litígios em andamento, mas reafirmou cumprir integralmente as sanções reconhecidas internacionalmente, “em linha com instituições financeiras globais”. A corretora citou declarações de dirigentes da Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) e do Escritório de Controle de Bens Estrangeiros (OFAC) — ambos do Departamento do Tesouro dos EUA — segundo as quais criptomoedas não seriam amplamente usadas pelo Hamas.
A empresa e Zhao já enfrentam um processo separado em Nova York por suposto financiamento ao Hamas em anos anteriores ao ataque de 2023. Naquele caso, a defesa alega que “não há nada de especial” na relação entre a organização e a exchange, classificando as acusações como “claramente insuficientes”.
Imagem: Divulgação
Contexto de bloqueios e investimentos recentes
Após o ataque de 7 de outubro, autoridades israelenses ordenaram o congelamento de dezenas de contas cripto. Na ocasião, a Binance confirmou ter bloqueado “um pequeno número de contas” e reiterou cumprir sanções. Meses depois, a plataforma recebeu um aporte de US$ 2 bilhões de um fundo dos Emirados Árabes Unidos, transação feita via stablecoin emitida por empresa parcialmente detida pela família Trump.
Próximos passos judiciais
Os demandantes buscam reparação pelos danos sofridos e argumentam que a exchange facilitou atividades ilícitas que resultaram em perdas humanas e financeiras. O tribunal ainda avaliará se as acusações configuram apoio material ao terrorismo, o que pode acarretar novas penalidades à maior corretora cripto do mundo.
Até o momento, Zhao não respondeu aos pedidos de comentário sobre o processo mais recente.
Para compreender como a regulamentação financeira impacta o mercado, confira outras análises na seção de Economia do Diário de Finanças.
Esta reportagem apresentou as principais alegações contra a Binance e seu fundador. Acompanhe nossas atualizações e receba alertas sobre criptomoedas assinando nossa newsletter gratuita.



