Exposição Complexo Brasil apresenta, na Fundação Calouste Gulbenkian, um retrato multifacetado da cultura brasileira, reunindo obras, vídeos e experiências imersivas que permanecem em cartaz até 17 de fevereiro.
Aberta ao público em 14 de novembro, a mostra ocupa a Galeria Principal e a Galeria do Piso Inferior do Edifício Sede da instituição lisboeta, propondo ao visitante uma travessia por diferentes tempos, territórios e visões de Brasil.
Exposição Complexo Brasil revela múltiplos brasis em Lisboa
Com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, o projeto exibe criações de artistas como Cildo Meireles, Jaider Esbell, Luiz Zerbini, Anita Ekman, Sandra Nanayna e Glicéria Tupinambá. A cenografia é assinada por Daniela Thomas e Maristella Pinheiro, enquanto o design gráfico leva a assinatura de José Albergaria e Kiko Farkas.
Um Brasil de muitos caminhos
Os curadores organizaram a exposição Complexo Brasil em diferentes núcleos que mesclam documentos históricos, instalações, salas imersivas e seis vídeos inéditos. Os filmes exploram, por exemplo, a beleza e as contradições do país, o legado da escravidão — citando Portugal como pioneiro na deportação em massa de africanos —, a utopia de Brasília segundo Clarice Lispector, a Amazônia em transformação e o universo das escolas de samba.
A proposta rompe com leituras hegemônicas ao valorizar vozes antes invisibilizadas. Para isso, os curadores investiram em longos processos de diálogo com comunidades e artistas indígenas, garantindo que cada participação respeitasse a oralidade, as tradições e a autonomia desses criadores.
Diálogo entre artes, história e contemporaneidade
A montagem alterna obras expostas nas paredes a instalações no piso, criando percursos que enfatizam a sobreposição de matrizes culturais — indígenas, africanas e europeias. O visitante se depara com pinturas, esculturas, registros audiovisuais e textos que evidenciam tanto as violências do colonialismo quanto as potências inventivas geradas por esse mesmo choque de culturas.
Segundo Milena Britto, o objetivo não é substituir um estereótipo por outro, mas revelar permanências, contradições e riquezas que formam o mosaico brasileiro. Já Guilherme Wisnik ressalta o desafio de apresentar essa complexidade em Lisboa, cidade que historicamente dialoga com o Brasil desde o período colonial.
Programação paralela amplia experiência
Além das mais de cem peças em exposição, a Fundação Gulbenkian exibe filmes, promove conversas e realiza manifestações como a aula-show “Brasília”. Nessa atividade, Guilherme Wisnik, a cantora Adriana Calcanhoto e o arquiteto Nuno Grande discutem a capital federal por meio de imagens e canções, incluindo referências ao ataque de 8 de janeiro de 2023 ao Palácio do Planalto.
Outro destaque é o livro “Catálogo – Complexo Brasil”. Em lugar de um catálogo tradicional, a publicação reúne textos críticos de José Miguel Wisnik, Milena Britto, Guilherme Wisnik, Eliane Brum, Rafael Xucuru-Kariri e Suzane Lima Costa, oferecendo reflexões sobre temas centrais da mostra em formato acessível ao grande público.
Imagem: Divulgação
Serviço
Local: Galeria Principal e Galeria do Piso Inferior do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa
Período: até 17 de fevereiro
Horário: terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h30)
Ingressos: venda no site da Fundação Gulbenkian e na bilheteria local
A exposição Complexo Brasil pretende ampliar o olhar sobre o país ao combinar denúncia, memória e celebração, revelando ao público português — e aos muitos brasileiros residentes em Portugal — um panorama contemporâneo que questiona a própria ideia de nação.
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