Brasil está lascado sem reformas estruturais, diz banqueiro -

Brasil está lascado sem reformas estruturais, diz banqueiro

Brasil está lascado sem reformas estruturais, diz banqueiro — a avaliação veio de Alexandre Bettamio, co-chairman de Global Corporate & Investment Banking do Bank of America, durante um painel da G4 Educação em São Paulo. O executivo advertiu que, sem atacar o déficit público e o ritmo de crescimento da dívida, o país continuará sob risco financeiro mesmo diante de um cenário favorável de queda de juros em 2026.

Na visão de Bettamio, a Bolsa brasileira já recuperou 45 % puxada pelo enfraquecimento do dólar e pela realocação de capital que beneficiou vários emergentes, mas esse movimento não reflete fundamentos locais. Segundo ele, o custo de capital ainda pode cair “significativamente” no próximo ano, abrindo espaço para expansão do mercado de capitais e do consumo, porém de forma temporária se reformas não avançarem.

Brasil está lascado sem reformas estruturais, diz banqueiro

O banqueiro lembrou que a dívida pública bruta oscila entre R$ 8 e R$ 9 trilhões, enquanto o déficit nominal gira em torno de 9 % do PIB. Embora a relação dívida/PIB brasileira esteja perto de 80 %, inferior aos 120 % dos Estados Unidos e aos 230 % do Japão, o problema central, afirmou, é o custo de carregamento: “Se a dívida sobe 15 % ao ano e a economia cresce 3 %, a conta não fecha”.

Juros menores não bastam

Bettamio projeta um “espaço muito grande para a queda de juros” em 2026, o que deve baratear o crédito e estimular investimentos. Esse alívio monetário, porém, só destravará valor de forma duradoura se vier acompanhado de medidas que corrijam o desequilíbrio fiscal primário. “O mercado antecipa expectativas. Se o governo, seja este ou o próximo, sinalizar que vai enfrentar o déficit, a precificação melhora rapidamente”, disse.

Eleição como gatilho para reformas

O executivo acredita que o ciclo eleitoral de 2026 pode catalisar o debate sobre mudanças estruturais. “A eleição oferece a oportunidade de escolher quem fará as reformas necessárias”, observou. Ele destacou que benefícios tributários recentes estimulam o consumo no curto prazo, mas não substituem ajustes permanentes nas contas públicas.

Comparações internacionais

Para ilustrar sua preocupação, Bettamio comparou o caso brasileiro a economias desenvolvidas que operam com dívidas maiores, porém custeadas a taxas bem inferiores. “Não é o tamanho absoluto da dívida que assusta, e sim quanto custa financiá-la”, explicou. Nos emergentes, acrescentou, a sensibilidade a choques de juros é maior, o que torna a consolidação fiscal ainda mais urgente.

Mercado de capitais em compasso de espera

Com a expectativa de crédito mais barato, setores dependentes de financiamento devem ganhar fôlego, mas investidores preferem sinais concretos de responsabilidade fiscal antes de ampliar posições. “Existe apetite, mas falta confiança de que o déficit será enfrentado”, resumiu o banqueiro do BofA.

Em síntese, Bettamio reforçou que a estabilidade de longo prazo depende de atacar o desequilíbrio estrutural entre crescimento da receita e das despesas públicas. Sem esse passo, concluiu, “o Brasil está lascado”.

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Este conteúdo resume a avaliação de um dos principais executivos do mercado financeiro sobre a necessidade de reformas estruturais para assegurar um crescimento sustentável. Acompanhe nosso site para mais notícias e inscreva-se para receber alertas e aprofundar seu conhecimento sobre economia.

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