Os cartões de crédito seguem em expansão no Brasil e bateram recorde no primeiro semestre de 2025. Segundo a Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o valor transacionado com cartões atingiu R$ 2,2 trilhões no período, dos quais R$ 1,5 trilhão foi movimentado apenas na modalidade crédito, alta de 14,4% ante igual intervalo de 2024.
No total, foram registradas 23,2 bilhões de operações com cartões em 2024; a função crédito respondeu por 10,5 bilhões dessas transações, crescimento de 10,4% em comparação ao segundo semestre daquele ano. Apesar da rápida adoção do Pix, criado pelo Banco Central há cinco anos, os dados mostram que o sistema de pagamento instantâneo não reduziu a utilização dos cartões.
Cartão mantém papel de financiador
Para Ricardo Vieira, vice-presidente executivo da Abecs, o cartão de crédito continua sendo o meio de pagamento que mais contribui para a inclusão financeira no país e o principal canal de bancarização. Ele destaca que 75% das operações ocorrem sem incidência de juros, fator que ajuda a explicar o crescimento consistente do setor em índices de dois dígitos nos últimos anos.
Números do Banco Central reforçam esse cenário: entre 2020 e 2024, já após a chegada do Pix, a taxa média de expansão das transações com cartão de crédito foi de 20,9%. O órgão avalia que, longe de concorrer diretamente, o Pix acabou gerando novas oportunidades de uso para os cartões.
Preferência do consumidor e dos empreendedores
Levantamento da Serasa Experian realizado em 2024 com quase 5 mil consumidores indicou que o cartão de crédito é a modalidade de crédito mais desejada por quem busca recursos além da renda habitual. Pesquisa do Sebrae, por sua vez, apontou que cerca de 40% dos mais de 6 mil pequenos empresários consultados recorrem ao cartão para financiar suas atividades.
“Não existe consumidor que utilize apenas um meio de pagamento. O Pix chegou forte, com menor custo, mas não oferece os mesmos benefícios e facilidades do cartão”, afirma Gustavo Santos, diretor de cartões do Santander. O banco relançou, em 2024, o cartão Santander Free, que isenta de tarifas tanto o plástico quanto a conta vinculada.
Estratégia das bandeiras
A Visa, uma das maiores processadoras de pagamentos do mundo, intensificou nos últimos dois anos a expansão da aceitação de seus cartões em novos segmentos, como setor público e transporte coletivo. “Estamos ampliando a presença em ambientes onde ainda não estávamos”, diz Alessandro Rabelo, diretor-executivo de Soluções da Visa do Brasil. Em 2024, a companhia criou a unidade Visa Government Solutions justamente para atender órgãos públicos.

Imagem: valor.globo.com
O bom momento do mercado brasileiro também atrai a chinesa UnionPay, segunda maior bandeira global em volume de transações (34,5% em 2024, segundo o Nilson Report). Seus cartões já podem ser usados em cerca de 3 milhões de estabelecimentos, por meio das redes Stone e Rede, além de caixas eletrônicos da TecBan e Saque&Pague e em agências do Itaú. O objetivo é emitir cartões no país, mas não há prazo definido. “Por ora, nossa prioridade é ampliar a aceitação por meio de parcerias”, afirma Guilherme Morais, diretor da UnionPay no Brasil.
Morais avalia que o mercado brasileiro ainda tem “grande potencial” para migrar do dinheiro em espécie para pagamentos com cartões e QR Code. A UnionPay oferece produtos que vão do cartão tradicional aos pagamentos instantâneos, incluindo a maior rede global de QR Code, destaca o executivo.
Com um ritmo de crescimento robusto e diversificação de produtos, o setor de cartões de crédito consolida seu espaço ao lado do Pix e amplia as alternativas de pagamento para consumidores e empresas.
Com informações de Valor Econômico
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