O uso de terminais de autopagamento continua a se espalhar pelo varejo brasileiro e já mostra reflexos positivos no volume de vendas das redes. Grandes grupos, como GPA, Carrefour, Lojas Americanas, Assaí e Renner, expandem a tecnologia para reduzir filas, elevar a satisfação do consumidor e, consequentemente, ampliar o ticket de compra.
GPA mira cobertura total
Dono das marcas Pão de Açúcar e Extra, o GPA instalou equipamentos de self-checkout em 90% de suas lojas. A companhia pretende chegar a 100% de cobertura. Segundo o diretor de tecnologia, Emerson Facunte, não houve corte de custos operacionais, porém o retorno sobre o capital melhorou porque a ausência de filas aumentou a frequência de visitas e as vendas.
Carrefour aposta na experiência
No grupo francês Carrefour, que também opera Atacadão e Sam’s Club, a percepção de conveniência é considerada fator competitivo. “Sempre que aprimoramos o self-checkout, vemos o uso crescer”, afirma Julio Alves, diretor de excelência operacional. A rede investe em inteligência artificial para detectar fraudes por meio da leitura de movimentos das mãos e planeja incorporar identificação por radiofrequência (RFID) para acelerar ainda mais o processo de compra.
Americanas escolhe lojas de maior fluxo
Nas Lojas Americanas, 20% das 239 unidades contam com pelo menos um terminal. A diretora de operações, Roberta Antunes, explica que a prioridade é introduzir a tecnologia em pontos de alta venda para potencializar resultados. A varejista analisa dados do último ano para definir a próxima etapa de expansão.
Assaí mantém perdas sob controle
No atacarejo Assaí, 74% das unidades já utilizam autopagamento. A empresa informa que o índice de perdas — por furtos, vencimentos ou danos — não difere das lojas sem o recurso. O controle é feito com balanças integradas aos terminais e equipes de apoio no salão.
Renner usa RFID em todas as peças
Desde 2021 a Renner aplica RFID em 100% dos itens. Hoje, 60% das lojas possuem caixas de autopagamento: o cliente deposita as peças em um compartimento e confirma a lista na tela. Para Fabiana Taccola, vice-presidente de produto e operações, diferentes formatos de checkout devem conviver, pois parte do público prefere atendimento humano, sobretudo em compras volumosas.

Imagem: Divulgação via valor.globo.com
Reguladores acompanham mudanças
O Procon-SP monitora a oferta de funcionários para auxiliar consumidores nos terminais, em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor. A entidade registra poucas reclamações, mas aponta falta de atendentes em vistorias. Já no segmento de combustíveis, o autosserviço segue proibido pela Lei 9.956/2000 — norma considerada constitucional pelo STF em 2023 —, embora tramite no Senado projeto que propõe flexibilização.
Tecnologia e cultura impulsionam adoção
Levantamento da consultoria Fortune Business Insights indica que o tempo gasto no autopagamento pode ser até 30% menor que no caixa tradicional. A redução de filas, aliada à crescente intolerância do consumidor à espera, estimula as redes a acelerar investimentos.
Com expansão rápida, integração de inteligência artificial e RFID, o self-checkout consolida-se como ferramenta estratégica para melhorar a experiência do cliente e elevar as vendas nos grandes centros urbanos. Para acompanhar outras tendências que movimentam o comércio, confira a editoria de Economia do Diário de Finanças.
Com informações de Valor Econômico



