Conselho de Paz de Gaza prevê mandato vitalício por US$1 bi

Conselho de Paz de Gaza exigirá uma doação de US$ 1 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 5,37 bilhões, para conceder mandato vitalício a seus integrantes, segundo o projeto de estatuto ao qual a agência Reuters teve acesso.

O documento, elaborado pelo governo dos Estados Unidos, estabelece que, na ausência desse aporte financeiro, cada membro atuará por no máximo três anos, com possibilidade de renovação pelo presidente norte-americano Donald Trump, idealizador do colegiado.

Conselho de Paz de Gaza prevê mandato vitalício por US$1 bi

O plano faz parte da segunda fase do acordo de paz defendido por Washington para encerrar a guerra entre Israel e o Hamas e instituir um governo de transição na Faixa de Gaza. De acordo com a minuta enviada a cerca de 60 países, “o mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano”.

Convites a líderes globais

Entre os convidados estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Argentina, Javier Milei, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o secretário de Estado americano Marco Rubio, o bilionário Marc Rowan e o assessor da Casa Branca Robert Gabriel. Trump presidirá o órgão, enquanto o major-general Jasper Jeffers comandará a Força Internacional de Estabilização (ISF), responsável pela segurança em Gaza e pelo treinamento de uma futura força policial local.

Lula ainda não confirmou se aceitará participar. Segundo fontes do governo brasileiro, a decisão será analisada na próxima semana, e qualquer manifestação oficial dependerá dessa avaliação. Já Milei declarou nas redes sociais que será “uma honra” integrar a iniciativa.

Objetivos do colegiado

Conforme comunicado da Casa Branca, o conselho discutirá temas como reconstrução, atração de investimentos, governança e mobilização de capital para a região. A Presidência dos Estados Unidos afirma que a contribuição bilionária não é uma “taxa mínima de adesão”, mas um mecanismo para garantir cadeira permanente a países que demonstrem “profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”.

Impacto diplomático para o Brasil

Desde o início do conflito, em outubro de 2023, Lula vem criticando publicamente as operações militares de Israel e defendendo um cessar-fogo imediato, além da criação de um Estado palestino. Caso aceite o convite, o presidente brasileiro poderá ser cobrado por coerência em relação às críticas feitas a Israel, já que o conselho é liderado pelos EUA, principal aliado do governo israelense.

Uma eventual recusa também traz riscos: Trump busca apoio internacional para legitimar o colegiado, e a ausência do Brasil poderia ser interpretada como falta de compromisso com a reconstrução de Gaza, sobretudo diante da posição histórica do país em defesa do multilateralismo.

Contrapontos e declarações

No sábado (17), a agência Bloomberg havia divulgado a exigência de US$ 1 bilhão. Na ocasião, a Casa Branca negou a existência de “taxa mínima”, mas confirmou que a doação garante filiação permanente. Trump, por sua vez, afirmou nas redes sociais que “é o maior e mais prestigiado conselho já reunido”.

Até o momento, o Palácio do Planalto não se pronunciou oficialmente sobre o convite. Auxiliares presidenciais avaliam os custos e benefícios diplomáticos antes de levar uma recomendação a Lula.

Analistas veem no movimento uma tentativa da Casa Branca de envolver líderes relevantes para dividir responsabilidades e recursos na fase de reconstrução, evitando que a tarefa recaia apenas sobre Washington e seus aliados tradicionais.

O estatuto ainda precisa ser ratificado pelos países participantes. Caso entre em vigor, o conselho terá autonomia para aprovar projetos de infraestrutura, captar investimentos privados e supervisionar a aplicação dos recursos em Gaza.

A discussão sobre o financiamento será central nos próximos encontros, já que poucos governos têm disponibilidade imediata para desembolsar US$ 1 bilhão em dinheiro vivo. Alguns diplomatas defendem alternativas, como aportes parcelados ou garantias de crédito.

Por enquanto, o cronograma oficial prevê a instalação do conselho logo após a conclusão de um cessar-fogo duradouro e a formação de um governo interino palestino.

O desenrolar dessas negociações definirá o papel que o Brasil, e outros convidados, poderão assumir na reconstrução de Gaza e na consolidação de um acordo de paz de longo prazo.

Se você se interessa pelos impactos econômicos de decisões internacionais, vale conferir nossa cobertura completa na seção de Economia.

Resumindo: o Conselho de Paz de Gaza quer garantir aporte bilionário em troca de assento vitalício, e Lula avalia se aceitará integrar o grupo. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe esta notícia.

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