COP30 ganha espaço nas redes sociais brasileiras com avanço do sentimento positivo, enquanto no exterior a percepção negativa ainda supera o dobro das menções favoráveis, segundo levantamento da Quaest nos primeiros sete dias de outubro.
A pesquisa, que inicia série semanal em parceria com O GLOBO, analisou publicações sobre a conferência climática programada para Belém e identificou maior engajamento nacional e críticas acentuadas fora do país.
COP30 tem percepção positiva no Brasil e crítica externa
No Brasil, 21% das postagens avaliaram a COP30 de forma positiva entre 1º e 7 de outubro, superando os 13% registrados ao longo do trimestre julho-setembro. Já as manifestações negativas recuaram de 37% para 26%, enquanto 53% permaneceram neutras. O público brasileiro foi responsável por 55% de todo o debate digital sobre o evento no período.
Fatores que impulsionaram o otimismo interno
De acordo com Marina Siqueira, diretora de Sustentabilidade da Quaest, dois fatos estimularam a reação favorável: a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Belém para acompanhar as obras da conferência e a ligação ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual Lula reforçou o convite para que ele participe da COP30.
As publicações positivas destacaram a conclusão de instalações da conferência, intervenções de saneamento na capital paraense, o convite a Trump e a aprovação, no Senado, da transferência simbólica da capital federal para Belém durante o evento.
Críticas internas permanecem, com foco em custos e infraestrutura
Entre as menções negativas, sobressaíram queixas sobre os custos elevados, colapso na saúde local, problemas sanitários e receio de impactos ambientais decorrentes das obras. Termos como “vergonha” e dúvidas sobre gastos públicos foram recorrentes.
Predomínio de críticas no cenário internacional
Fora do país, o sentimento negativo chegou a 37% das postagens, enquanto apenas 17% foram positivas e 45% neutras. Estados Unidos (10%), Espanha (6%), Reino Unido (4%) e Colômbia (4%) lideraram as interações.
Nos EUA, a principal preocupação é a possibilidade de resultados insuficientes para a preservação ambiental. Britânicos e espanhóis discutem a Agenda 2030 e a relevância da COP30, ao passo que colombianos ressaltam o papel da Amazônia e da América Latina na busca de soluções sustentáveis.
Imagem: Brenno Carvalho
Motivos das críticas externas
Hospedagem cara, logística complicada, transporte até Belém e a abordagem sobre combustíveis fósseis foram os temas mais citados nos comentários negativos. Os elogios se concentraram em justiça climática, crise climática global, transição energética e descarbonização.
Próximos passos do monitoramento digital
Com a proximidade do evento, que começa em 11 de novembro, a Quaest seguirá divulgando relatórios semanais para medir variações no humor das redes sociais. A expectativa é que anúncios de infraestrutura, participação de líderes mundiais e avanços em negociações climáticas influenciem o sentimento.
Enquanto a COP30 se aproxima, a disputa narrativa nas plataformas digitais evidencia o contraste entre o otimismo interno e o ceticismo internacional quanto à capacidade de Belém sediar a maior conferência climática do mundo.
Para quem acompanha os impactos econômicos de grandes eventos, vale conferir nossos dados sobre desempenho do mercado brasileiro em cenários semelhantes na página de Economia do Diário de Finanças.
Em resumo, a pesquisa Quaest indica melhora da percepção nacional sobre a COP30, impulsionada por ações governamentais, mas mostra que a comunidade internacional mantém postura mais crítica. Continue acompanhando nossas publicações para entender como a repercussão digital pode afetar o sucesso da conferência.



