Crédito estruturado desponta como a principal aposta dos family offices brasileiros na composição de portfólios, segundo levantamento apresentado nesta semana pelo Valor Econômico.
Com o cenário de juros ainda elevados e a necessidade de proteger patrimônio contra a volatilidade de mercado, gestores vêm direcionando parte relevante dos recursos para instrumentos que unem garantias robustas e fluxo de pagamentos previsível.
Crédito estruturado lidera alocação de family offices brasileiros
O movimento, apontam especialistas ouvidos pelo jornal, inclui a compra de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA), debêntures de infraestrutura e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Esses papéis oferecem remuneração superior à renda fixa tradicional, ao mesmo tempo em que contam com colaterais que mitigam o risco de inadimplência.
Na prática, a estratégia busca equilibrar risco e retorno. Ao combinar operações with duration curta e indexação à inflação ou ao CDI, os family offices conseguem preservar poder de compra e suavizar oscilações do portfólio patrimonial. Gestores também destacam a possibilidade de personalizar estruturas, alinhando prazos e garantias às necessidades específicas de cada família.
Outro atrativo é o tratamento tributário. Em debêntures incentivadas, por exemplo, a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas melhora o yield líquido e torna o produto competitivo frente a outros ativos com perfil semelhante. Mesmo em CRI e CRA, onde a tributação segue a tabela regressiva, a rentabilidade costuma superar títulos públicos de igual prazo.
Apesar dos benefícios, a adoção do crédito estruturado exige análise criteriosa dos termos de emissão. Especialistas recomendam avaliar qualidade do lastro, regime de garantias e histórico de adimplência do originador. Diversificar entre diferentes setores também é apontado como forma de reduzir riscos específicos — prática que se reflete na carteira média mapeada pelo Valor, na qual papéis do agronegócio convivem com recebíveis imobiliários e debêntures de energia.
O estudo indica que a fatia de crédito estruturado nos family offices já se aproxima de um terço da alocação total, superando a exposição direta a ações listadas. O avanço foi acelerado a partir de 2020, quando a pandemia intensificou a busca por ativos menos voláteis e com fluxo de caixa conhecido.
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Para o restante de 2024, a expectativa dos gestores é manter ou ampliar essa participação, sobretudo caso o ciclo de cortes da Selic avance em ritmo mais lento que o projetado. Nesse cenário, yields de 1,5 a 2,0 ponto percentual acima do CDI continuam atrativos, principalmente se associados a garantias bem estruturadas.
Embora o crédito estruturado não substitua classes tradicionais — como renda variável e fundos multimercados —, ele se consolidou como peça estrutural na estratégia de preservação de patrimônio dos grandes núcleos familiares.
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Em resumo, o avanço do crédito estruturado nos family offices reflete a busca constante por equilíbrio entre segurança e rentabilidade. Acompanhe nossas próximas publicações e descubra outras alternativas para fortalecer sua carteira.



