Os deputados federais Talíria Petrone (Psol-RJ) e Túlio Gadêlha (Rede-PE) protocolaram requerimento em que solicitam detalhes da operação que trouxe ao Brasil um Boeing 757 C-32B da Força Aérea dos Estados Unidos, conhecido como “Gatekeeper”. O avião pousou no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, na noite de terça-feira (20/8), e decolou menos de três horas depois rumo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Questionamentos oficiais
No pedido encaminhado aos ministérios da Defesa, de Portos e Aeroportos e das Relações Exteriores, os parlamentares exigem:
- identificação de todos os ocupantes da aeronave e número total de passageiros;
- informação sobre eventuais notificações prévias às autoridades brasileiras;
- detalhes sobre os tipos de visto concedidos, “considerando a natureza supostamente oficial e sigilosa da missão”;
- acesso a relatórios de inspeções feitas pela Polícia Federal, Receita Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Talíria e Gadêlha ainda indagam quais providências o Itamaraty adotou para acompanhar a atividade dos tripulantes e assegurar que não houve violação da legislação brasileira. “Considerando o histórico de uso deste tipo de aeronave em operações de inteligência e o princípio da soberania nacional, que medidas foram tomadas para monitorar os ocupantes do voo?”, questionam.
Origem e características do voo
De acordo com registros de navegação, a aeronave partiu de Nova Jersey em 18 de agosto, fez escalas em Tampa (Flórida) e San Juan (Porto Rico) e pousou em Porto Alegre às 17h13. Após o desembarque de funcionários do consulado americano — informação apurada pelo jornal O Globo —, decolou às 19h52 para São Paulo.
O C-32B se distingue pela fuselagem totalmente branca, sem marcas externas, e é operado pelo 150º Esquadrão de Operações Especiais da Força Aérea dos EUA. O modelo conta com sistemas avançados de comunicação, sensores de última geração e capacidade de reabastecimento em voo, características que permitem missões de longa distância e alto grau de sigilo.
Próximos passos
Até o momento, nem autoridades brasileiras nem norte-americanas divulgaram oficialmente o motivo da presença do “Gatekeeper” no país. Os ministérios têm prazo regimental para responder ao requerimento parlamentar, que poderá resultar em novas convocações ou audiências na Câmara.

Imagem: Reprodução via oglobo.globo.com
O Diário de Finanças acompanhará os desdobramentos e atualizações sobre a resposta do governo federal. Para entender como movimentações internacionais podem impactar decisões internas, confira mais análises na seção Governamental.
Continue conosco para mais informações sobre política e economia.
Com informações de O Globo



