STF exige aval da Corte para validade de leis estrangeiras no país, decide Flávio Dino

Brasília — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que normas editadas em outros países só produzem efeitos no Brasil após chanceladas pela própria Corte. A decisão foi proferida em processo relacionado às reparações pelos desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, mas também repercute sobre investigações que envolvem o ministro Alexandre de Moraes.

Dino esclareceu nesta terça-feira (20/08/2025) que a medida “não interfere na cooperação jurídica com tribunais internacionais”. Segundo ele, sentenças de organismos como a Corte Interamericana de Direitos Humanos continuam sendo reconhecidas, desde que observados os procedimentos previstos na legislação brasileira.

Reação do mercado

Logo após a publicação do despacho, ações de instituições financeiras listadas na B3 recuaram e provocaram perda de R$ 41,98 bilhões em valor de mercado. Analistas veem incerteza sobre possíveis questionamentos a contratos firmados por bancos e empresas que atuam simultaneamente em jurisdições estrangeiras.

Entenda o trâmite

No podcast “O Assunto”, a professora de Direito Internacional da USP, Maristela Basso, explicou que decisões judiciais ou leis de outra nação precisam ser homologadas pelo STF antes de serem executadas no Brasil. O procedimento, chamado de carta rogatória ou homologação de sentença estrangeira, exige apresentação de documentação traduzida, comprovação de trânsito em julgado e verificação de compatibilidade com a ordem pública brasileira.

Maristela, que atua há quatro décadas na área, avalia que, sem o crivo do Supremo, bancos podem ficar “num impasse jurídico” caso sejam pressionados a cumprir sanções definidas fora do país. “A partir de agora, se houver conflito, a instituição terá de aguardar o posicionamento do STF para evitar responsabilidade dupla”, disse.

Relações bilaterais

A jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor Econômico, relatou no mesmo episódio que agentes do mercado interpretaram a decisão como um freio de arrumação na escalada de tensões entre Brasília e Washington. Embora Dino não tenha citado a Lei Magnitsky — usada pelos EUA para impor restrições a Alexandre de Moraes —, o entendimento do ministro acaba blindando autoridades brasileiras contra sanções unilaterais.

Fernandes acrescentou que a possibilidade de questionamento no Supremo “pode alongar prazos e elevar custos de compliance” para empresas com exposição internacional.

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Imagem: g1.globo.com

Próximos passos

Não há prazo para que o plenário do STF analise a decisão de Flávio Dino, que atualmente tem caráter individual. Até lá, empresas e instituições financeiras devem adequar seus procedimentos, enquanto especialistas aguardam eventual manifestação do Ministério das Relações Exteriores sobre cooperação jurídica.

Para acompanhar outros impactos sobre o sistema financeiro, visite a seção de Economia do Diário de Finanças.

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Com informações de g1

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