Dois terços das mulheres fluminenses relatam violência obstétrica, aponta pesquisa

A segunda edição da pesquisa Nascer no Brasil revela que cerca de 66% das mulheres que deram à luz no estado do Rio de Janeiro entre 2021 e 2023 foram vítimas de pelo menos um tipo de violência obstétrica.

Principais formas de agressão

Entre os 1.923 relatos analisados, toques vaginais inadequados sem explicação ou consentimento lideram as ocorrências, mencionados por 46% das entrevistadas. Em seguida aparecem episódios de negligência (31%), como longas esperas por atendimento e sensação de abandono pela equipe de saúde. Já o abuso psicológico, que inclui broncas e repreensões, foi citado por 22% das mulheres.

População mais afetada

As taxas mais altas de violência atingem gestantes adolescentes, as com idade mais avançada, mulheres de baixa escolaridade e beneficiárias de programas sociais. O problema também é mais frequente no sistema público e durante partos vaginais, quando o tempo de contato com profissionais é maior. “Quanto mais tempo a mulher permanece internada, maior a chance de sofrer violência”, observou a coordenadora do estudo, Maria do Carmo Leal.

Prática proibida persiste

O levantamento registrou ainda que 53 parturientes foram submetidas à manobra de Kristeller—pressão sobre o abdômen para acelerar o parto—, procedimento proibido por lei estadual desde 2016 e desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde devido aos riscos para mãe e bebê.

Estimativa para todo o estado

Com base na prevalência observada, os pesquisadores estimam que aproximadamente 5,6 mil mulheres tenham sofrido uma das formas mais graves de violência física durante o parto em 2022 no Rio de Janeiro.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

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Com informações de Agência Brasil

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