Golpe do bilhete premiado: Passo Fundo vira capital da fraude -

Golpe do bilhete premiado: Passo Fundo vira capital da fraude

Golpe do bilhete premiado é a expressão que voltou ao centro das investigações policiais após a identificação, em menos de uma semana, de sete grupos especializados que partiam de Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, para aplicar a fraude em todo o país.

Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2026, operações simultâneas cumpriram mandados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Alagoas, Espírito Santo e Paraíba, resultando na prisão dos suspeitos. Todos os alvos são naturais ou residentes em Passo Fundo, circunstância que levou a Polícia Civil a classificar o município como a “capital do golpe do bilhete”.

Golpe do bilhete premiado: Passo Fundo vira capital da fraude

Como o golpe é aplicado

O roteiro permanece praticamente o mesmo desde que o crime surgiu. Um estelionatário aborda a vítima em local público alegando possuir um bilhete de loteria supostamente premiado. Em seguida, um comparsa surge e confirma a veracidade da história — às vezes por telefone, fingindo ser funcionário de banco. O objetivo é criar proximidade emocional e convencer a vítima a pagar determinada quantia em troca do bilhete. Em poucos minutos, os golpistas desaparecem; o prejuízo financeiro só é percebido depois.

Operações em seis estados

Segundo o delegado Adroaldo Schenkel, responsável pelas investigações, os sete grupos foram localizados em Passo Fundo, Alvorada e Sarandi (RS); Itapema e Balneário Camboriú (SC); Goiânia (GO); João Pessoa (PB); Vitória (ES); e Maceió (AL). A ação coordenada confirmou que Passo Fundo funciona como ponto de partida de uma rede que percorre diferentes regiões aplicando o estelionato.

Por que Passo Fundo virou polo da fraude

De acordo com Schenkel, há um histórico longo de moradores da cidade envolvidos no golpe do bilhete premiado. Pesquisas citadas pela investigadora Fabiana Beltrami mostram registros da fraude desde a década de 1930, repetindo-se nas décadas seguintes. “Passo Fundo tem um longo histórico de ação no golpe do bilhete premiado, já vem de muitas décadas”, ressalta o delegado.

Estratégias de convencimento

A promessa de um grande prêmio continua sendo o principal atrativo usado pelos criminosos. Em um dos casos investigados, uma vítima relatou ter sido abordada por um idoso que pedia ajuda para encontrar uma casa lotérica. Ao oferecer metade do suposto prêmio como recompensa, o estelionatário convenceu a pessoa a entregar dinheiro vivo. A psicóloga Beatriz Becker explica que o golpe se sustenta na exploração de emoções, sobretudo entre idosos que sofrem com solidão e isolamento social. “Eles chegam gentis, solícitos. O bilhete é um objeto físico, o cérebro acredita mais”, conclui.

Prejuízos financeiros e emocionais

Além das perdas materiais, as vítimas precisam lidar com vergonha e abalo psicológico após descobrirem o engano. A polícia alerta que, mesmo sendo um crime antigo, o golpe do bilhete premiado se reinventa e continua causando danos significativos.

Pena prevista

O estelionato está previsto no Código Penal brasileiro com pena que varia de um a cinco anos de prisão. A Polícia Civil gaúcha reforça que denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia ou pelo telefone 190.

Para mais orientações sobre como proteger seu dinheiro, visite a seção de dicas do Diário de Finanças.

O golpe do bilhete premiado mostra como a criatividade criminosa se mantém ativa ao longo das décadas. Compartilhe esta reportagem e ajude outras pessoas a reconhecer sinais de fraude antes que seja tarde.

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