Isenção do IR nas projeções do Copom? Mercado questiona se o Banco Central já considerou, em seus modelos, o impacto da nova faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil na estimativa de inflação de 3,3% apresentada após a reunião de dezembro.
A dúvida ganhou força porque, segundo a prática do BC, apenas medidas transformadas em lei entram nas projeções oficiais. A isenção foi aprovada pelo Senado minutos depois da divulgação do comunicado do Comitê de Política Monetária, o que deixa aberta a possibilidade de o ajuste ainda não ter sido computado.
Isenção do IR nas projeções do Copom? Mercado questiona
De acordo com tesourarias de grandes instituições, a resposta a esse ponto pode influenciar o timing do próximo corte de juros. Caso a projeção de 3,3% já inclua a redução de tributos, o caminho para um corte da Selic em janeiro permanece viável. Se a medida fiscal ainda precisar ser incorporada, a atualização dos modelos pode revelar uma inflação mais pressionada, adiando o início do ciclo de afrouxamento para março.
Um profissional de renda fixa ouvido pelo mercado explica que a eventual confirmação de que o novo IR faz parte das contas “será vista como sinal positivo”, mantendo a aposta em redução imediata dos juros. Em contraste, se o impacto tributário não estiver no cálculo de 3,3%, “a barra para cortar já no primeiro mês do ano fica mais alta”.
No mercado de opções digitais, essa incerteza se reflete nas probabilidades implícitas. Contratos que vencem em janeiro apontam 60% de chance de manutenção da Selic nos atuais 15%, 25% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual e 13,5% de chance de diminuição de 0,5 ponto.
Analistas lembram que, além da isenção do IR, o Copom monitora sinais de atividade e o comportamento do hiato do produto, medida da ociosidade da economia. A combinação de retomada mais intensa e estímulos fiscais pode mexer nas trajetórias de preços e, portanto, na velocidade do ajuste monetário.
Imagem: Antio Cruz
A ata da reunião, que será publicada na próxima semana, deve trazer esclarecimentos sobre os pressupostos usados pelo colegiado, inclusive se a reforma do Imposto de Renda já faz parte do cenário base. Até lá, operadores continuarão recalibrando apostas, enquanto a dúvida sobre a “nova” projeção de inflação segue como peça-chave do quebra-cabeça de política monetária.
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Em resumo, o mercado aguarda a ata do Copom para saber se a isenção do IR já está precificada nos 3,3% de inflação. Continue nos acompanhando para receber, em primeira mão, todas as atualizações sobre a Selic e o cenário fiscal.



