Itaú e Coinbase deixam ABcripto em meio a crise interna -

Itaú e Coinbase deixam ABcripto em meio a crise interna

Itaú e Coinbase deixam ABcripto junto a GCB, Liqi e Avenia, acirrando a turbulência que atinge a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) desde o início de novembro.

Ao menos seis fontes confirmaram ao Valor que as cinco empresas encerraram voluntariamente sua participação na entidade, movimento que reforça o embate entre o presidente Bernardo Srur e o conselho de administração.

Itaú e Coinbase deixam ABcripto em meio a crise interna

Saídas confirmadas

O GCB, especializado em tokenização de ativos, informou ter formalizado a desfiliação no início de novembro e comunicou que seu CEO, Gustavo Blasco, deixou o assento que ocupava no conselho da associação. A Avenia e a Liqi também confirmaram a saída. Segundo a Liqi, a companhia permanece ligada a outros órgãos setoriais, como a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs). Procurados, Itaú e Coinbase optaram por não comentar o desligamento.

Desentendimento entre presidência e conselho

A crise interna ganhou força quando conselheiros acusaram Bernardo Srur de falta de transparência nas finanças da ABcripto e de condução do órgão de forma antidemocrática. Em resposta, a diretoria processou quatro conselheiros — Daniel de Paiva Gomes (advogado), André Portilho (BTG Pactual/Mynt), Maria Isabel Sica (Ripple) e Renata Mancini (Ripio) — sob a alegação de conspiração para destituir Srur e de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de modo irregular.

Os conselheiros, por sua vez, afirmam não ter sido informados sobre supostas pendências cadastrais da entidade na Receita Federal, algo negado pelo atual presidente.

Decisão judicial e convocação de nova AGE

Em liminar, a Justiça atendeu pedido de Daniel de Paiva Gomes e determinou que a diretoria convocasse a AGE. Após a decisão, Srur marcou a assembleia para 16 de dezembro, data-limite antes de sua recondução automática à presidência.

Posicionamento da ABcripto

Em nota, a ABcripto classificou as saídas como “parte da dinâmica natural” de uma entidade representativa, ressaltando que entradas e saídas refletem ciclos e prioridades de cada empresa. A associação afirmou manter foco no desenvolvimento responsável do mercado de criptoativos, com iniciativas de autorregulação, educação, segurança e melhores práticas.

Próximos passos

Enquanto o mercado acompanha a disputa interna, a AGE de 16 de dezembro definirá se a atual gestão será mantida ou se haverá mudança na presidência. Até lá, a saída de players relevantes como Itaú e Coinbase adensa a incerteza sobre o futuro da representação do setor de ativos digitais no país.

Para acompanhar outras movimentações que impactam o cenário financeiro brasileiro, confira a cobertura completa na seção de Economia do Diário de Finanças.

Em resumo, a saída de Itaú, Coinbase, GCB, Liqi e Avenia da ABcripto evidencia a gravidade da crise na entidade, cujo desfecho será decidido na próxima AGE. Continue conosco para entender os desdobramentos e saber como eles podem afetar o mercado de criptoativos no Brasil.

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