Mercado de perfumes de luxo no Brasil já soma R$ 2,4 bi anuais -

Mercado de perfumes de luxo no Brasil já soma R$ 2,4 bi anuais

Mercado de perfumes de luxo no Brasil registra um avanço consistente e já movimenta cerca de R$ 2,4 bilhões anuais, de acordo com o levantamento da consultoria Deep Market Insights. O ritmo de expansão, acelerado após o período pós-pandemia, reflete a procura do consumidor por fragrâncias mais concentradas, inspiradas em ingredientes sofisticados e, muitas vezes, ligados à gastronomia.

Dados da Circana apontam que as vendas do segmento de fragrâncias devem encerrar 2026 com alta acima de 12%, patamar que já se confirma nos primeiros seis meses deste ano. Marcas internacionais, cada vez mais interessadas no potencial brasileiro, respondem atualmente por 10% do mercado, independentemente das oscilações cambiais.

Mercado de perfumes de luxo no Brasil já soma R$ 2,4 bi anuais

A valorização do real frente ao dólar colaborou para tornar os preços dos perfumes importados mais competitivos no país. Varejistas locais oferecem parcelamento em até 12 vezes sem juros, além de programas de fidelidade e cashback, fatores que estimulam a retenção do cliente e impulsionam ainda mais o consumo.

Entre os lançamentos recentes, a L’Oréal trouxe ao Brasil a linha Born in Roma, da grife Valentino, composta por 12 variações com notas de baunilha, chá de jasmim e pimenta-rosa. Já a Prada apresentou a fragrância Paradigme, que combina bergamota da Calábria e gerânio Bourbon da África do Sul. Yves Saint Laurent Beauty reforçou o portfólio local com MYSLF Le Parfum e LIBRE Flowers and Flames, enquanto a Lancôme apostou em La Vie Est Belle L’Élixir, com aroma de framboesa e folhas de violeta.

Marina Torres, diretora-geral da L’Oréal Luxo no Brasil, afirma que 78% dos brasileiros usam e compram fragrâncias regularmente, posicionando o país como o segundo maior mercado de perfumes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo a executiva, o canal on-line já representa 11% das vendas no Brasil, permitindo que grifes como Lancôme, Azzaro, Ralph Lauren e Giorgio Armani inaugurem lojas oficiais em marketplaces como Mercado Livre e Amazon.

“Os perfumes funcionam como porta de entrada para o universo de luxo, pois muitos consumidores não têm acesso a itens de moda de alto valor, mas conseguem adquirir uma fragrância”, explica Marina. Essa estratégia omnicanal, que mescla experiência digital e pontos físicos, tem sido fundamental para ampliar a presença das marcas.

Além das grandes multinacionais, fabricantes nacionais reforçam a oferta de produtos premium. A Felisa Beauty Born in Brasil, criada em 2023 pela executiva Fernanda Elisa Orciolli, conta com oito perfumes na linha fixa e duas edições limitadas, todas unissex. A empresa, que importa matérias-primas de países como Turquia, Madagascar e França, planeja lançar três novas fragrâncias até 2026 e já exporta para Colômbia, México e Estados Unidos.

No Grupo Boticário, o diretor-executivo de Perfumaria, Paulo Roseiro, destaca a criação de marcas internas voltadas ao segmento premium, como Hadiya e Privée. Segundo ele, o consumidor brasileiro busca fragrâncias com maior densidade, complexidade e assinatura olfativa, tendência que justifica investimentos em coleções inspiradas em essências árabes ou em plantas como papoula e beladona.

A Granado também reforçou sua presença no nicho de alto padrão com rótulos como Sublime, que mistura rosa e açafrão, e Amazônico, marcado por notas amadeiradas e toque de cacau. A contratação de perfumistas internacionais integra a estratégia de elevar a sofisticação do portfólio.

Consultorias projetam crescimento expressivo para a América Latina. Estudo da McKinsey prevê que a região será uma das de maior avanço na venda de perfumes, atrás apenas da Índia, Oriente Médio e países da Ásia-Pacífico. A Coty, que representa diversas marcas no Brasil, acompanhou a tendência e colocou 13 novos perfumes no mercado brasileiro em 2025, entre eles Burberry Her Eau de Parfum e Boss Bottled Beyond, este último estrelado pelo jogador Vinícius Júnior.

Para Cesar Tsukuda, CEO da Beauty Fair — segunda maior feira de cosméticos do mundo —, o tamanho e o uso intenso de produtos de beleza no Brasil tornam o país decisivo nos planos globais de qualquer companhia do setor. “Quando o perfume representa até metade do faturamento de beleza, mais empresas querem competir. O consumidor já domina o básico e agora busca novidades com alta concentração e melhor performance”, observa.

O cenário favorável estimula ações de marketing sensoriais. A Lancôme firmou parceria com a chocolateria Dengo para criar chocolates no sabor framboesa, remetendo ao La Vie Est Belle L’Élixir. A Prada montou um espaço móvel repleto de buquês de jasmim em diferentes pontos do Rio de Janeiro, enquanto a Valentino investiu em uma gelateria temática com sabores inspirados em romã, baunilha e pistache.

Especialistas avaliam que a combinação de preços mais próximos dos praticados no exterior, facilidades de pagamento, experiência de compra integrada e forte apelo sensorial sustenta a expansão do mercado de perfumes de luxo no Brasil. Com projeções otimistas de crescimento de dois dígitos até 2026, a disputa entre marcas nacionais e internacionais tende a se intensificar, beneficiando o consumidor que busca fragrâncias exclusivas e de longa duração.

Se você deseja acompanhar outras tendências que movimentam o cenário econômico nacional, confira a seção de Economia do Diário de Finanças, onde publicamos análises e novidades diariamente.

O mercado de perfumes de luxo mostra vitalidade e perspectiva de crescimento nos próximos anos. Continue acompanhando nossas reportagens para descobrir como esse e outros setores se transformam e influenciam o consumo no Brasil.

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