Juros futuros iniciaram o pregão desta sexta-feira (3) em forte alta, influenciados pelo agravamento da percepção de risco fiscal no Brasil, mas recuaram parcialmente à tarde e ainda fecharam acima do ajuste anterior.
Os contratos mais negociados voltaram a refletir a preocupação dos investidores com o avanço de pautas que elevam despesas públicas, como a recente ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) aprovada na Câmara dos Deputados. Durante o dia, notícias sobre o xadrez eleitoral amenizaram parte da pressão, mas não impediram a manutenção de prêmios maiores na curva.
Juros futuros sobem com risco fiscal apesar de alívio
No encerramento dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,09% para 14,105%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,365% para 13,425%, enquanto o vértice para janeiro de 2031 passou de 13,56% para 13,615%.
Manhã marcada por aversão a risco
A primeira metade da sessão foi dominada por um movimento de abertura expressiva das taxas, em continuidade à piora vista na véspera. Analistas apontam que a combinação de medidas com impacto fiscal e o fortalecimento político do governo reforçou o receio de novas concessões de gastos até as eleições de 2026.
Para Marcos De Marchi, economista-chefe da Oriz Partners, “o aumento da popularidade do governo, aliado a iniciativas como a isenção do IR, alimenta apostas de que mais benesses fiscais possam ocorrer no período pré-eleitoral”. Essa percepção sustentou um bear steepening na curva, com elevação mais intensa nos vértices longos.
Tarde traz alívio, mas não reverte quadro
O alívio parcial à tarde coincidiu com reportagem da Folha de S.Paulo indicando que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria dado aval à candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com Michelle Bolsonaro como vice. Parte do mercado vê a possível chapa como sinal de mudança na condução econômica a partir de 2027, o que reduziu, ainda que pontualmente, a pressão sobre as taxas.
Mesmo assim, o saldo semanal foi negativo para a renda fixa doméstica. De terça-feira em diante, a curva refletiu não apenas o debate fiscal, mas também a postura considerada mais conservadora do Banco Central. “Era uma semana que poderia ter sido de recuo dos juros, dados os sinais de inflação mais benigna e mercado de trabalho fraco, mas o ambiente doméstico predominou”, resume De Marchi.

Imagem: Divulgação
Expectativas para o Congresso e relações externas
Mário Robles, estrategista do HSBC, observa que o mercado permanecerá atento às discussões no Congresso, sobretudo às mudanças no projeto de isenção do IR. “A aprovação é esperada, mas alterações no texto podem ocorrer”, afirma. Ele acrescenta que a relação diplomática Brasil–Estados Unidos seguirá no radar: qualquer tensão adicional tende a aumentar a volatilidade dos vértices longos, podendo acentuar a inclinação da curva.
Números que marcaram o dia
- DI jan/2027: 14,105% (14,09% no ajuste anterior)
- DI jan/2029: 13,425% (13,365%)
- DI jan/2031: 13,615% (13,56%)
O comportamento dos juros futuros reforça a sensibilidade do mercado à agenda fiscal e à incerteza política. Enquanto persistirem dúvidas sobre o ritmo de gastos públicos e o resultado do processo eleitoral, analistas projetam manutenção de prêmios elevados, sobretudo nos prazos intermediários e longos.
Para entender como essas variações podem influenciar outros ativos e as finanças pessoais, confira também os conteúdos da seção de Economia do nosso site em https://diariodefinancas.com/economia.
Em resumo, a curva de juros terminou a semana em alta mesmo após o recuo intradiário, sinalizando cautela dos investidores diante do risco fiscal. Continue acompanhando nossas atualizações para decidir com mais segurança seus próximos passos no mercado.



