Khamenei chama Trump de criminoso e exige punição. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou neste sábado (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um “criminoso” responsável por mortes e danos ocorridos durante os protestos antigovernamentais que tomaram conta do país nas últimas semanas, segundo a agência estatal iraniana Tasnim.
Ao comentar o apoio público de Trump aos manifestantes, Khamenei declarou que o chefe da Casa Branca instigou a violência ao encorajar a população a “tomar o controle” das instituições iranianas e ao prometer que “a ajuda está a caminho”. Para o aiatolá, as declarações equivalem a interferência direta nos assuntos internos do Irã.
Khamenei chama Trump de criminoso e exige punição
De acordo com a agência Fars, Khamenei afirmou que “os Estados Unidos devem ser responsabilizados” pelas consequências dos protestos. “Não buscamos levar o país à guerra, mas também não permitiremos que criminosos internos fiquem impunes”, disse o líder, sem especificar quais medidas pretende adotar.
EUA devem responder por ‘ações hostis’, diz líder
Segundo a Tasnim, o aiatolá culpou Washington pelas “acusações” dirigidas à República Islâmica e pelas vítimas registradas durante os confrontos entre forças de segurança e manifestantes. Khamenei acusou Trump de “alimentar a instabilidade” ao divulgar mensagens nas redes sociais que pediam a continuidade dos atos.
Enquanto o líder iraniano elevava o tom contra os EUA, Trump advertiu que poderia “atacar o Irã” caso as autoridades reagissem com violência aos protestos. Em resposta, Khamenei aconselhou o presidente americano a “focar em seu próprio país”.
Crise econômica intensifica protestos
Os protestos, iniciados no fim de dezembro, se espalharam rapidamente após comerciantes dos bazares de Teerã reclamarem da inflação crescente. O movimento tornou-se a maior onda de manifestações contra o regime em anos, abrangendo diversas cidades.
A insatisfação atingiu o auge na semana passada, quando o preço de itens básicos como óleo de cozinha e frango subiu repentinamente, e alguns produtos desapareceram das prateleiras. A crise foi agravada pela decisão do Banco Central de retirar um programa que concedia dólares a custo reduzido para determinados importadores, medida que levou lojistas a reajustarem preços ou fecharem as portas.
O governo, liderado por reformistas, tentou conter a ira popular oferecendo transferências diretas de quase US$ 7 mensais às famílias, mas o esforço não surtiu efeito. Na quinta-feira (8), autoridades cortaram o acesso à internet e a linhas telefônicas, isolando o país na noite mais intensa de manifestações até agora.
Imagem: REUTERS
Organizações de direitos humanos relatam que centenas de pessoas foram mortas desde o início dos protestos. Mesmo assim, Khamenei destacou que a economia permanece “desafiadora” e cobrou dos funcionários públicos maior empenho para garantir o fornecimento de bens essenciais e ração para o gado.
Perspectivas para o governo iraniano
Analistas observam que a combinação de pressões internas e ameaças externas intensifica o momento de tensão em Teerã. Embora Khamenei rejeite a ideia de guerra, as acusações contra Washington elevam o risco de novos atritos diplomáticos.
No cenário doméstico, o aiatolá exige resultados concretos de sua equipe econômica para atenuar a crise de abastecimento e estabilizar preços. A resposta do governo às reivindicações sociais pode definir os rumos dos protestos e, em última instância, a relação do Irã com a comunidade internacional.
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Em síntese, Khamenei responsabiliza diretamente Donald Trump pelos distúrbios recentes e promete agir contra “criminosos internos”, enquanto o país enfrenta inflação elevada e protestos que desafiam o regime. Continue acompanhando nossas atualizações e fique por dentro dos próximos desdobramentos.



