Manifestações contra anistia às condenações do 8 de Janeiro, realizadas no domingo (21) nas 27 capitais brasileiras, são percebidas por ministros do governo Lula e por parlamentares da base aliada como o golpe final que deve enterrar a proposta de perdoar os envolvidos e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A leitura no Palácio do Planalto é que os protestos, que reuniram milhares de pessoas e ganharam visibilidade especial na Avenida Paulista, aumentam a pressão popular contra a Proposta de Emenda à Constituição conhecida como “PEC da Blindagem” e contra qualquer tentativa de reduzir penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal aos réus dos atos antidemocráticos.
Manifestações contra anistia sepultam proposta no Congresso
Segundo integrantes do Executivo, o centrão e o PL já vinham travando embates internos sobre o mérito da anistia, o que retardava sua tramitação no Congresso. O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirma pretender apresentar um texto focado apenas na dosimetria das penas — o que poderia beneficiar Bolsonaro —, mas deputados alinhados ao ex-presidente rejeitam qualquer versão que não elimine integralmente as condenações.
De acordo com fontes do Planalto, a dimensão dos atos de domingo dificulta ainda mais um acordo. Avalia-se que líderes do centrão repensarão o apoio ao perdão após observarem a mobilização popular contrária. Dentro da própria oposição, há críticas de que a urgência da anistia foi aprovada na Câmara apenas um dia depois de a Casa autorizar a PEC da Blindagem, medida que dificulta investigações contra parlamentares. Aliados de Bolsonaro consideram que as duas pautas foram “contaminadas” e ficaram politicamente tóxicas.
Pressão popular e números expressivos
O Monitor do Debate Político, projeto da Universidade de São Paulo (USP), calculou 42.379 participantes no ato da Avenida Paulista. O número se aproxima dos 42,2 mil registrados no protesto bolsonarista de 7 de setembro, considerado um sucesso pela direita, e impressionou até parlamentares do PL. O impacto visual e a repercussão nas redes sociais foram apontados como fatores que ampliam o custo político de manter a anistia em pauta.
Para o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, as manifestações sinalizam exaustão da sociedade com o que ele chama de “semipresidencialismo imposto” pelo Congresso. “Essa aliança do centrão com o bolsonarismo, expressa na PEC da Blindagem e na anistia, gerou um sentimento de indignação. A pauta do país vai mudar”, afirmou.
Cenário legislativo incerto
No momento, não há data definida para o parecer de Paulinho da Força nem para nova votação em plenário. Parlamentares da base governista acreditam que, mesmo se o relatório for protocolado, a reação popular deverá empurrar a discussão para 2026. Já a oposição se divide entre insistir na anistia integral e buscar alternativas que reduzam as penas de forma indireta.

Imagem: Custódio Coimbra
Enquanto isso, o Planalto monitora o humor do centrão, ciente de que a mesma coalizão é vital para a agenda econômica do governo. Assessores de Lula dizem que qualquer sinal de recuo na anistia será usado para retomar projetos de interesse do Executivo e reforçar a narrativa de combate à corrupção.
Com o avanço da insatisfação nas ruas e a falta de consenso dentro do próprio bloco que articulava o perdão, a percepção dominante no governo é de que a proposta de anistia perdeu fôlego e dificilmente encontrará espaço para prosperar, ao menos no curto prazo.
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Em resumo, a forte mobilização popular elevou o custo político de defender a anistia e deixou o tema perto do arquivamento. Continue acompanhando nossas atualizações e saiba primeiro como novas articulações no Congresso podem afetar o cenário nacional.



