Mudança na Previ encerra o ciclo de trocas na alta gestão das principais empresas controladas pelo Banco do Brasil, iniciado em julho pela presidente da instituição, Tarciana Medeiros.
A saída de João Luiz Fukunaga da presidência do maior fundo de pensão do país, oficializada na sexta-feira (17), foi a última etapa da reestruturação que também alcançou BB Asset, BB Seguridade, Brasilseg, BB Americas, BB Tecnologia e Serviços (BBTS) e Brasilcap.
Mudança na Previ conclui renovação no grupo BB
Fukunaga, que estava no cargo desde 2023, apresentou renúncia durante reunião do Conselho Deliberativo da Previ após meses de pressão. No lugar dele, assumirá Márcio Chiumento, então diretor de Participações da fundação, indicado por Medeiros. Fukunaga migrará para a diretoria de Relações Governamentais e ASG da EloPar, holding compartilhada por Banco do Brasil e Bradesco.
Como foi a reestruturação nas empresas do BB
A reconfiguração começou em julho, quando Tarciana Medeiros substituiu lideranças de várias subsidiárias em um único dia, alegando “alinhamento de perfis de liderança às exigências de cada negócio, com critérios técnicos”. As mudanças incluíram:
- BB Asset: Gustavo Lustosa assumiu a presidência da maior gestora do país, com quase R$ 1,8 trilhão sob gestão, no lugar de Denísio Liberato.
- BB Seguridade: Delano Valentim Andrade, ex-BB Americas, foi nomeado para o comando da holding.
- Brasilseg: Marcelo Labuto, que presidiu o Banco do Brasil em 2018, voltou ao conglomerado para liderar a seguradora.
- BB Americas: Mario Matsumoto Fujii, então gerente-geral em Nova York e Miami, ficou no lugar de Andrade.
- BBTS: Paulo Andre Rocha Alves, ex-gerente de tecnologia, substituiu Lustosa na diretoria de tecnologia.
- Brasilcap: Antônio Carlos Teixeira foi efetivado em setembro após atuar como interino desde maio de 2024.
Detalhes da Previ e polêmicas recentes
A Previ administra mais de R$ 270 bilhões em patrimônio e tem 106 mil associados no Plano 1, o maior e mais antigo. O mandato de Fukunaga iria até 31 de maio de 2026, mas foi encurtado depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou, em fevereiro, auditoria nas contas do fundo. O órgão citou indícios de irregularidades diante da queda de rentabilidade em 2024, quando o plano registrou déficit de R$ 3,16 bilhões. O resultado foi revertido em 2025, com superávit de R$ 1,48 bilhão até agosto.
No período em que Fukunaga esteve à frente da fundação, a exposição em renda variável caiu de 32% para 18%, totalizando R$ 30 bilhões redirecionados para títulos públicos indexados à inflação (NTN-B). A compra de ações da Vibra, superior a R$ 1 bilhão, foi questionada por supostamente contrariar a política de reduzir risco em Bolsa, mas a Previ afirmou que a operação foi compensada por desinvestimentos em 57 outras empresas.
Quem é Márcio Chiumento
Funcionário do Banco do Brasil desde 2000 e formado em Direito, Chiumento já liderou áreas de clientes, estratégia e produtos no segmento setor público, além de ser ouvidor-geral da instituição. Atualmente, integra o conselho de administração da Neoenergia e é vice-presidente do conselho da Tupy. A posse dele na Previ está em tramitação no Conselho Deliberativo.
Com a promoção de Chiumento, Adriana Chagastelles, funcionária de carreira do banco há quase 30 anos, foi indicada para a diretoria de Participações da Previ, tornando-se a primeira mulher nomeada pela instituição para um cargo executivo nesse nível.

Imagem: Divulgação
Cenário político e resultados do BB
Tarciana Medeiros assumiu a presidência do Banco do Brasil no início do atual governo. Apesar de rumores em 2024 sobre uma eventual substituição por indicação política após a eleição de Davi Alcolumbre para o Senado, ela permaneceu no cargo, mesmo com a queda de 60% no lucro líquido do BB no segundo trimestre de 2025, para R$ 3,7 bilhões.
Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sinalizou insatisfação com o desempenho de Medeiros, que manteve a estratégia de priorizar funcionários de carreira e reforçar critérios técnicos nas nomeações.
Próximos passos
O Conselho Deliberativo da Previ dará sequência aos trâmites formais para a efetivação de Márcio Chiumento. Já a gestão de Tarciana Medeiros segue focada em consolidar as mudanças e entregar resultados diante de um cenário de maior escrutínio sobre a governança dos ativos do conglomerado.
Com a mudança na Previ e a conclusão das substituições, o Banco do Brasil fecha um capítulo de ajustes na alta gestão de suas controladas, buscando estabilidade e eficiência operacional para os próximos anos.
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Em resumo, a troca no comando da Previ simboliza o término do processo de renovação liderado por Tarciana Medeiros no grupo Banco do Brasil. Continue acompanhando nossas publicações para não perder as próximas atualizações sobre o mercado financeiro.



