Oposição domina redes sociais e amplia apoio à anistia na primeira semana de julgamento de Bolsonaro

A base de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro assumiu a dianteira das discussões sobre anistia nas redes sociais durante os primeiros cinco dias de julgamento da suposta trama golpista que envolve o ex-mandatário e outros sete réus. Levantamento da Genial/Quaest, que observou cerca de 3 milhões de publicações no período, aponta que 58% das menções defendiam o perdão aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, enquanto 38% se mostraram contrárias e 3% permaneceram neutras.

No recorte específico sobre o julgamento em curso, a tendência pró-Bolsonaro mostrou-se ainda mais robusta: 66% dos posts rejeitaram a possibilidade de prisão do ex-presidente, 22% apoiaram a detenção e 12% não assumiram posição clara. A mobilização ganhou fôlego paralelo no Congresso, conduzida pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que voltou a articular a proposta de anistia.

Hashtags em disputa

A discussão virtual girou, sobretudo, em torno de duas hashtags. A bolsonarista #BolsonaroFree liderou o tráfego e acabou repercutida também por internautas de esquerda, que utilizaram a expressão em tom irônico ao traduzir literalmente a frase como “Livre de Bolsonaro”. Do lado governista, a etiqueta #BolsonaroCondenado apareceu três vezes menos, segundo a análise da Genial/Quaest.

Opinião pública resiste ao perdão

Apesar da forte presença digital de defensores da anistia, as sondagens de opinião apontam resistência da maioria dos brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada em maio mostrou que 55% dos entrevistados são contra o perdão aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. Em março do ano passado, esse índice chegava a 63%.

O recuo coincidiu com a repercussão do julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada em abril a 14 anos de prisão por pichar a escultura A Justiça, em frente ao Supremo Tribunal Federal. O caso tem sido usado por aliados de Bolsonaro para criticar a duração das penas aplicadas.

Ainda assim, a maioria da população considera adequadas ou até brandas as punições. De acordo com o Datafolha, 34% acham que as sentenças estão corretas e 25% defendem penas mais severas; 36% avaliam que as punições deveriam ser menores. Outro estudo da própria Genial/Quaest indica que 56% acreditam que os réus devem permanecer presos e cumprir integralmente as penas, enquanto 18% entendem que eles não deveriam ter sido detidos e 16% defendem libertação por tempo excessivo de encarceramento.

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Imagem: Cristiano Mariz via oglobo.globo.com

Com o julgamento em andamento e a articulação política em Brasília, o embate entre as vozes pró e contra anistia deve continuar a movimentar redes sociais e pesquisas nos próximos dias.

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Com informações de O Globo

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