Ouro pode valer 40 vezes mais caso o dólar deixe de ocupar o posto de moeda de reserva global, aponta um estudo da gestora norte-americana VanEck, responsável por cerca de US$ 160 bilhões em ativos.
O relatório, divulgado pela empresa, parte da discussão recorrente sobre a sustentabilidade do status do dólar como principal referência cambial mundial. Na avaliação dos analistas, um cenário de desdolarização poderia recolocar o metal precioso como âncora do sistema monetário internacional, levando a uma multiplicação expressiva do seu valor de mercado.
Ouro pode valer 40 vezes mais se dólar perder reserva
Para chegar à conclusão, a VanEck comparou o estoque global de ouro com o volume de dólares atualmente usados em reservas oficiais de bancos centrais. A gestora simulou como seria a redistribuição de valor caso as nações optassem por substituir parte relevante dessas reservas pela commodity. O resultado indica que o preço do ouro teria de subir aproximadamente quarenta vezes para equilibrar oferta e demanda nesse novo arranjo financeiro.
Cenário analisado pela VanEck
Segundo o relatório, a possibilidade de o dólar perder participação nas reservas internacionais tem ganhado força após episódios de sanções econômicas e mudanças geopolíticas que incentivam algumas economias a diversificar ativos. Embora não exista previsão formal de abandono da moeda norte-americana, a VanEck sustenta que o debate é suficiente para pressionar investidores a reavaliar posições em metais preciosos.
Fatores que impulsionam a discussão
Entre os fatores citados pela gestora estão a desaceleração do comércio global medido em dólares, o aumento das transações bilaterais denominadas em moedas locais e as políticas de estímulo monetário prolongado nos Estados Unidos. Esses elementos, de acordo com o estudo, alimentam dúvidas sobre a capacidade do dólar de manter sua participação histórica próxima a 60% das reservas mundiais.
Impacto para investidores
Apesar de reconhecer que a perspectiva de uma multiplicação por 40 é extrema, a VanEck afirma que mesmo um ajuste parcial significaria valorização relevante para quem detém ouro físico ou cotas de fundos lastreados no metal. A gestora ressalta que o relatório não constitui recomendação de investimento, mas serve como ferramenta de análise para cenários alternativos que podem influenciar alocação de carteiras no longo prazo.
Imagem: Matt Jelek
Limitações do estudo
Os autores lembram que a transformação do sistema monetário internacional depende de decisões políticas complexas e da coordenação de grandes economias. Além disso, a transição exigiria tempo e infraestrutura para converter reservas denominadas em dólar em ativos reais, o que torna a hipótese apenas uma das várias possibilidades consideradas pelos analistas.
Em síntese, o levantamento da VanEck destaca a importância do ouro como instrumento de preservação de valor em momentos de incerteza cambial, reforçando o debate sobre a hegemonia do dólar e seus desdobramentos potenciais para o mercado financeiro global.
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