PF suspende gravações do programa ‘Aeroporto – Área Restrita’ alegando que a presença de câmeras em Áreas Restritas de Segurança (ARS) viola normas da aviação civil e compromete a segurança operacional dos aeroportos brasileiros.
A decisão interrompeu a produção da oitava temporada da série exibida pelo canal Discovery. Segundo a produtora Moonshot, a Polícia Federal (PF) cassou as credenciais de filmagem nos aeroportos de Viracopos (Campinas), Galeão (Rio de Janeiro) e Pinto Martins (Fortaleza) e indeferiu o acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.
PF suspende gravações de ‘Aeroporto – Área Restrita’
De acordo com a Moonshot, as filmagens estavam autorizadas desde dezembro de 2025 e contavam com o apoio de Anvisa, Vigiagro, Ibama, Receita Federal, polícias militares de São Paulo e do Rio de Janeiro, além das concessionárias Fraport e RIOgaleão. A produtora afirma que, em sete temporadas anteriores, a PF analisou e aprovou todas as credenciais sem registrar incidentes que afetassem a segurança aeroportuária.
Motivo da proibição
Em nota oficial, a PF sustenta que o veto cumpre rigorosamente as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que vedam a divulgação de imagens de procedimentos, fluxos e infraestruturas sensíveis. A corporação classifica as ARS como zonas prioritárias de risco, acessíveis apenas a pessoas com necessidade operacional ou funcional, excluindo atividades de entretenimento ou produção audiovisual.
Para a PF, a presença permanente de equipes de filmagem expõe cidadãos abordados, fere a intimidade, a presunção de inocência e revela técnicas utilizadas na repressão a ilícitos penais. A instituição ressalta que não participa do programa e que indefere “de forma reiterada e consistente” solicitações semelhantes.
Produtora contesta alegações
A Moonshot nega qualquer prejuízo à segurança e lembra que o programa é gravado no Brasil desde 2016 sem registro de problemas. A empresa sustenta que todas as operações passaram pelo crivo das autoridades e que as imagens sempre foram submetidas à revisão dos órgãos competentes antes da exibição.
Disputa institucional com a Receita Federal
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, atribuiu a suspensão a um “ciúme institucional”. Segundo ele, o destaque dado pela série às apreensões de bagagens pela Receita teria provocado desconforto na PF. Cabral também citou episódios de tensão no Aeroporto do Galeão, onde policiais federais teriam circulado armados em áreas de passageiros para impedir as filmagens, após a Operação Carbono Oculto.

Imagem: Igor Tetti
Em resposta, a PF negou conflito com a Receita e reiterou que a responsabilidade constitucional pela segurança aeroportuária é sua, prevalecendo inclusive em recintos alfandegados das ARS, conforme a legislação vigente.
Situação da série em outros países
Apesar do impasse no Brasil, versões internacionais de “Aeroporto” continuam ativas em países como Espanha e Colômbia. A Moonshot não informou se pretende buscar alternativas legais para retomar as gravações nacionais nem se o material já filmado chegará a ser exibido.
A suspensão lança dúvidas sobre o futuro da oitava temporada e evidencia a disputa pela gestão de espaços sensíveis nos terminais aéreos. Até o momento, não há previsão de retomada das filmagens.
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Resumo: a PF barrou a nova temporada de “Aeroporto – Área Restrita” por considerar as gravações incompatíveis com regras de segurança. A produtora contesta e a Receita aponta disputa institucional. Continue nos acompanhando para saber se a série voltará a ser gravada e receba alertas de atualizações em primeira mão.



