Polilaminina obtém aval inicial para tratar lesão medular

Polilaminina, versão modificada da proteína laminina, acaba de receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para entrar na fase 1 de estudos clínicos, passo considerado decisivo no caminho rumo a um possível tratamento de lesões na medula espinhal.

O composto foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com a farmacêutica Cristália e vem sendo analisado em modelos experimentais há quase 30 anos, com resultados que indicam reconexão de axônios danificados e recuperação motora em casos graves.

Polilaminina obtém aval inicial para tratar lesão medular

A aprovação da fase 1, anunciada no início de 2026, permite que a substância seja aplicada em cinco voluntários com lesões medulares completas, classificadas como tipo A, na região torácica. O objetivo dessa etapa é avaliar a segurança do medicamento e estabelecer se ele é tolerado sem efeitos adversos relevantes.

Primeiros resultados animadores

Em 2025, a equipe comandada pela professora Tatiana Sampaio divulgou um estudo preliminar envolvendo oito pacientes. A aplicação cirúrgica da polilaminina, feita diretamente na medula, resultou em retomada de movimentos em seis deles — desempenho muito superior aos 15% de recuperação espontânea documentados em literatura médica para quadros semelhantes.

O ensaio funcionou como um teste-piloto, utilizando dados históricos de controle. Apesar de os achados ainda não terem passado por revisão de pares, o índice de 75% de melhora foi considerado “sem precedentes” pela pesquisadora.

Como age a molécula

A laminina, proteína produzida em abundância na placenta, atua na organização de tecidos durante o desenvolvimento embrionário. Ao ser transformada em polilaminina, forma um “andaime” molecular que sustenta o crescimento de axônios rompidos, permitindo que neurônios restabeleçam conexões interrompidas após o trauma.

Para chegar ao produto final, placentas doadas em hospitais do interior de São Paulo são submetidas a um processo de purificação. No centro cirúrgico, o cirurgião mistura a laminina purificada a um diluente, promovendo a formação da rede molecular que será injetada acima e abaixo do ponto lesionado.

Fase 1: quem participa e quando

Segundo a UFRJ, os cinco participantes da fase 1 deverão receber a substância em até 72 horas após o acidente, durante o mesmo procedimento de descompressão da coluna. O protocolo será conduzido no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, com reabilitação apoiada pela AACD. A meta é concluir a etapa em um ano.

Se não surgirem eventos adversos graves, a pesquisa avança para a fase 2, focada em eficácia, e depois para a fase 3, que combina segurança e desempenho em um número maior de pacientes. De acordo com Rogério Almeida, vice-presidente de P&D da Cristália, o cronograma ideal projeta solicitar o registro definitivo à Anvisa em 2028.

Uso por liminar gera debate

Ainda sem registro comercial, a polilaminina tem sido requisitada por pacientes que recorrem à Justiça para obter aplicação em caráter experimental. Em janeiro de 2026, a nutricionista Flávia Bueno, 35 anos, tetraplégica após um mergulho no mar, recebeu a substância no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e voltou a mover o braço direito dias depois, segundo a família.

Tatiana Sampaio considera o atalho jurídico “eticamente inadequado”, pois dificulta a coleta padronizada de dados e expõe pacientes a riscos ainda não mapeados. Contudo, reconhece a pressão humana diante da ausência de opções terapêuticas efetivas.

Desafios e expectativas

Lesões de medula costumam ser provocadas por acidentes de trânsito, quedas, mergulhos ou violência com arma de fogo e, nos casos mais graves, resultam em paraplegia ou tetraplegia permanentes. Cirurgias de urgência e programas de reabilitação ajudam, mas não devolvem plenamente os movimentos quando há ruptura completa dos axônios.

Nesse cenário, a polilaminina surge como potencial mudança de paradigma. Caso novos ensaios confirmem a segurança e a eficácia observadas nos experimentos iniciais, o Brasil poderá liderar a oferta de um tratamento inédito para um público que hoje tem opções limitadas.

Para a médica fisiatra Ana Rita Donati, da AACD, é preciso cautela: “Já se espera alguma recuperação neurológica espontânea em parte dos pacientes. Precisamos de amostras maiores e acompanhamento prolongado antes de adotar amplamente qualquer nova terapia”.

Próximos passos

Após o recrutamento dos primeiros cinco voluntários, os pesquisadores acompanharão indicadores de inflamação, função motora e qualidade de vida durante 12 meses. Caso os dados sejam positivos, um estudo de fase 2, com mais participantes e grupo de controle, deve começar já em 2027.

No horizonte dos envolvidos, a expectativa é que a combinação entre avanço científico e parcerias hospitalares acelere a chegada de um tratamento que, até pouco tempo atrás, parecia impossível. Bom para pacientes, famílias e para a ciência brasileira, que vê uma descoberta “por acaso” ganhar status de esperança concreta.

Para quem acompanha os desdobramentos, a recomendação dos especialistas é manter a calma e aguardar os resultados das próximas etapas, baseados em evidências robustas.

Fique atento às atualizações: novos dados sobre a polilaminina serão divulgados à medida que os testes clínicos progredirem.

Quer entender como avanços biomédicos podem impactar outros setores? Veja mais em nossa página de Economia e acompanhe as inovações que movimentam o mercado.

Em resumo, a polilaminina iniciou oficialmente o percurso regulatório que pode culminar em um tratamento revolucionário para lesões medulares. Continue nos acompanhando e compartilhe esta notícia para que mais pessoas conheçam a pesquisa. Se você se interessa por saúde e tecnologia, assine nossas notificações e receba atualizações em tempo real.

Scroll to Top