Bolha de ativos virou expressão recorrente nas teleconferências dos maiores bancos dos Estados Unidos após o fechamento do terceiro trimestre de 2025. Embora o volume de negócios continue em expansão, dirigentes de instituições como J.P. Morgan, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo alertam para a possibilidade de uma correção acentuada nos preços dos ativos, mantidos em níveis considerados altos demais pelos próprios executivos.
O aviso chega em meio a recordes nas bolsas americanas, a expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve e a um consumo interno que permanece firme, fatores que, somados, sustentaram receitas robustas na área de banco de investimento ao longo do trimestre.
Bolha de ativos preocupa bancos dos EUA, dizem executivos
Receitas de banco de investimento disparam
Os números divulgados nesta terça-feira mostram o vigor do setor. No Goldman Sachs, a receita de banco de investimento avançou 42% entre julho e setembro. No J.P. Morgan, as comissões na mesma área cresceram 16%. Wells Fargo e Citigroup também apresentaram desempenho sólido, impulsionados pelo aquecimento dos mercados de capitais.
De acordo com dados do London Stock Exchange Group (LSEG), as comissões globais de banco de investimento somaram US$ 99,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, incremento de 9% em relação ao ano anterior e o maior patamar desde o início da série, em 2021. Para Danni Hewson, chefe de análise financeira da plataforma AJ Bell, a recente volatilidade “criou o ambiente perfeito” para as equipes de banco de investimento.
Boom de fusões, aquisições e IPOs
O movimento de fusões e aquisições (M&A) ganhou força. Levantamento da Dealogic aponta salto de 40% no volume global de M&A no terceiro trimestre, totalizando US$ 1,26 trilhão em megaoperações. Destaque para a compra da produtora de games Electronic Arts pelo consórcio formado por Silver Lake, Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e Affinity Partners, por US$ 55 bilhões — a maior aquisição alavancada da história.
Mike Santomassimo, diretor financeiro do Wells Fargo, classificou o pipeline de M&A como “bastante bom”. Jeremy Barnum, seu par no J.P. Morgan, relatou o verão “mais movimentado em anos” na área e vê condições favoráveis para ofertas públicas iniciais (IPOs) no quarto trimestre.
Exuberância e riscos de correção
Apesar do entusiasmo, aumentam os alertas sobre preços inflados. Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, afirma que “muitos ativos parecem estar entrando em território de bolha” e já identifica sinais de excesso no mercado de crédito. O Fundo Monetário Internacional também advertiu para a complacência dos investidores frente a riscos geopolíticos e comerciais.
Jane Fraser, CEO do Citigroup, reconhece “bolsões de efervescência” nos valuations de determinados setores. Na mesma linha, David Solomon, CEO do Goldman Sachs, pondera que a disciplina na gestão de riscos é “imperativa”, lembrando que o mercado opera em ciclos.

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Consumo forte e regulação mais branda
No front doméstico, as finanças dos consumidores seguem saudáveis, com inadimplência abaixo do previsto, segundo análise do J.P. Morgan. Além disso, executivos esperam que o governo Donald Trump avance em flexibilizações regulatórias que favorecem as operações dos bancos, compensando incertezas externas.
Mac Sykes, gestor da Gabelli Funds, resume o cenário: “O ímpeto continua na maioria das linhas de negócios, Wall Street permanece forte e a demanda por crédito ao consumidor está muito resiliente”. As ações refletiram esse sentimento: Wells Fargo subiu 8% e Citigroup 5%, enquanto Goldman Sachs e J.P. Morgan oscilaram levemente para baixo.
Perspectivas
Analistas concordam que, enquanto o consumo doméstico e o apetite por tecnologia sustentarem o crescimento, o fluxo de negócios deve permanecer intenso. O ponto de atenção segue sendo o nível dos preços de ativos: um ajuste abrupto poderia transformar o atual boom em turbulência generalizada.
Os bancos garantem monitorar de perto os indicadores de crédito e liquidez, mas, por ora, mantêm as apostas em um quarto trimestre aquecido, tanto em M&A quanto em IPOs. Resta saber se a confiança dos investidores resistirá aos alertas cada vez mais frequentes de uma possível bolha.
Para continuar acompanhando os movimentos que influenciam o mercado financeiro, leia também outras análises na seção de Economia do Diário de Finanças.
Resumo: o terceiro trimestre confirmou o vigor das receitas de banco de investimento nos EUA, impulsionado por consumo forte e expectativa de juros menores. Ao mesmo tempo, executivos alertam para sinais de bolha em diversos ativos. Fique atento às próximas atualizações e compartilhe esta notícia se achou útil.



