Projetos de ferrovia considerados estratégicos para a integração econômica do país acumulam atrasos que já superam uma década, segundo especialistas do setor ferroviário. O diagnóstico é de que a combinação entre instabilidade fiscal, insegurança jurídica e mudanças frequentes de prioridades nos governos emperra investimentos e provoca evasão de mão de obra qualificada.
Obras paradas ou sem previsão de conclusão
A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), iniciada há 14 anos, ainda não opera nenhum trecho. Já a Transnordestina soma quase 20 anos de intervenções interrompidas, alterações de traçado e renegociações contratuais. No Norte, o projeto da Ferrogrão permanece judicializado, sem cronograma definido.
Efeitos sobre profissionais e competitividade
Empresas do segmento relatam perda de engenheiros experientes, técnicos e jovens recém-formados que migraram para áreas mais estáveis ou para o exterior. O setor, intensivo em capital e dependente de planejamento de longo prazo, enfrenta dificuldade para manter equipes diante de contratos incertos e paralisações recorrentes.
Contexto econômico desfavorável
Inflação persistente, desvalorização cambial e fragilidade fiscal reduzem o apetite de investidores privados por obras de infraestrutura de retorno demorado. Além disso, representantes da indústria nacional questionam acordos governamentais que favorecem o fornecimento externo de materiais ferroviários, alegando que o problema do mercado interno é a falta de demanda contínua, não de capacidade produtiva.
Dúvidas sobre o Plano Nacional de Ferrovias
O atual Plano Nacional de Ferrovias prevê parcerias público-privadas para ampliar a malha, mas há incerteza quanto à disponibilidade de recursos e às garantias para contratos de longo prazo. A cada mudança de gestão, discussões recomeçam praticamente do zero, comprometendo a execução das obras.
Empresas, órgãos públicos e instituições de ensino defendem ações coordenadas para assegurar previsibilidade, estimular a formação de profissionais e incorporar a ferrovia às metas de transição energética, já que cada trem em operação pode retirar centenas de caminhões das estradas, reduzindo custos logísticos e emissões.

Imagem: Marcos Alves via oglobo.globo.com
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O impasse na área ferroviária revela como a ausência de continuidade política e de segurança para o capital torna lenta a modernização dos transportes no Brasil, com reflexos diretos na competitividade nacional. Acompanhe nossas atualizações e saiba mais sobre os próximos passos desses projetos.
Com informações de O Globo



