O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na quarta-feira, no Palácio do Planalto, que o Brasil possui níveis de democracia superiores aos dos Estados Unidos. A afirmação foi feita durante evento sobre economia solidária, um dia após a divulgação do relatório anual do Departamento de Estado norte-americano, que apontou deterioração dos direitos humanos no país.
Lula contestou as referências do documento à suposta perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e às decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o relatório, Moraes imporia censura a apoiadores do ex-mandatário, investigado por tentativa de golpe de Estado.
Para o chefe do Executivo, Bolsonaro responde a processos não por denúncia de adversários, mas pelas declarações de aliados que teriam confirmado participação na articulação para deslegitimar o resultado das eleições de 2022 e na invasão às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Lula comparou o caso brasileiro ao episódio de 6 de janeiro de 2021, quando seguidores de Donald Trump invadiram o Capitólio, em Washington. O presidente observou que o ex-chefe da Casa Branca não sofreu punição semelhante à aplicada no Brasil a responsáveis por atos golpistas. “Se tivesse feito isso aqui, teria que pagar pelos erros cometidos”, afirmou.
O presidente também criticou suposta tentativa de Trump de pressionar a Justiça brasileira com a suspensão de vistos de magistrados envolvidos no julgamento de Bolsonaro e com a condição de eliminar tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros somente se o processo contra o ex-presidente for encerrado. Para Lula, o comportamento é “inexplicável e inaceitável” para o líder da maior economia mundial.

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Apesar das divergências, Lula disse que o governo brasileiro pretende negociar questões comerciais com Washington sem abrir mão da soberania e já designou representantes para o diálogo. De acordo com o presidente, até o momento não houve retorno de autoridades norte-americanas.
Mesmo sem resposta oficial, Lula informou ter enviado esta semana uma carta a Donald Trump convidando-o para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para dezembro de 2025 em Belém (PA). O presidente afirmou que a reunião “cobrará dos governantes” compromissos que impeçam o aquecimento global acima de 1,5 °C.
O líder brasileiro garantiu que o país continuará a defender o respeito à Constituição e destacou que críticas externas não alteram o curso das investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal.



